sexta-feira, 30 de abril de 2010

Homenagem

Dia Nacional da Mulher - Lei Nº 6.791 - 09/06/1980 
Foi no dia 30 de abril que nasceu a fundadora do Conselho Nacional da Mulheres, Sra. Jerônima Mesquita. 
Como homenagem àquela mulher, grande filantropa, foi escolhido o dia de seu nascimento para se comemorar o Dia Nacional da Mulher.  Em poesia e em prosa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dia do Índio e outras datas

DISCURSO DE ÍNDIO



"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos". O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento ao meu país, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, "somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América".
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação?
Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Cacique Guaicaípuro Guatemoc

***
Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa.
Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais. Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados.
Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE
Enviado por Latuf Isaias Mucci



Dias outros


Nascimento de Manuel Bandeira (1886, Recife/PE):
poesia prosa
Nascimento de Lygia Fagundes Telles (1923, SP/SP)
poesia (diversos autores) sobre o dia do índio
Falecimento de Lord Byron (Missolongo, 1824)
Frases da semana
 "A amizade é o amor sem asas" - Lord Byron
 "Um banco é um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta      quando começa a chover" - Robert Frost
 "Quem segue tendências é alguém muito, muito tendencioso'' - Sonia Biondo

Poesia
 Temática: "Brasis": Francisca Clotilde
 Poesia ilustrada: Clevane Pessoa para uma tela de João Werner
Prosa
Crônica: Janice Mansur
 Coluna quinzenal de Thaty Marcondes
 Coluna trimensal de Marli Berg: Livros em Blocos

Site de Leila Míccolis
Coluna mensal de Bárabara Bandeira: "RaBicho", em defesa da vida anima

quinta-feira, 15 de abril de 2010

NOVIDADES, NOTÍCIAS E COMUNICADOS

 


Boletim 5/2010 Blocos Online: 51.008 arquivos, em 16/04/10

FRASES PREMIADA DA QUINZENA:

“Ajudar Blocos é fortalecer, incentivar e contribuir para a cultura brasileira”.

Lúcio José Dias  Alves (Fortaleza/CE)

SE BLOCOS TEM IMPORTÂNCIA EM SUA VIDA, SE VOCÊ ACHA QUE VALE ALGUMA COISA PIONEIRAMENTE, HÁ 13 ANOS, DIVULGAR CULTURA NA WEB, LEIA O TEXTO DA CAMPANHA ABAIXO
E RETWITTE
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FALE PARA OS AMIGOS
DIVULGUE AO MÁXIMO:

Depois de oito anos sendo mantido pela iniciativa privada, em 2010 Blocos Online não encontrou uma empresa que o patrocinasse, obrigando-nos, desta forma, a recorrer a você, nosso leitor. Ficaremos pelos próximos cinco meses — até agosto — recebendo doações a fim de conseguir fundos necessários para a manutenção do portal, medida que, de certa forma, é também uma forma de verificar a importância de um dos maiores portais de poesia do Brasil para você. Não estipulamos valor prévio para os depósitos, que deverão ser feitos através da conta corrente: 16300-7 Agência 2143 Banco Bradesco (nº 237), em nome de Blocos Editora, Assessoria, Consultoria e Produções Artística Ltda., CNPJ 30123830/0001-77. Solicitamos que o comprovante seja escaneado e nos enviado por e-mail para: blocos@blocosonline.com.br Caso o doador queira, poderemos emitir nota fiscal em favor do contribuinte ou de sua empresa. Certos de que poderemos contar com o apoio de todos, inclusive na divulgação desta campanha — o link da página é: http://www.blocosonline.com.br/home/conteudo/campanhablocos.php — agradecemos.

Outra maneira de ajudar financeiramente o portal é participando do vol. 10 da Saciedade dos Poetas Vivos Digital, temática BEIJOS. Se você é poeta, dos bons, e interessado na manutenção de um dos maiores espaços literários brasileiros, escreva solicitando o envio do projeto, que conta com o respaldo de nomes famosíssimos de nossa poesia. Escolheremos 15 autores apenas.

Para inteirar-se de outros informes do portal, inclusive os países em que você foi lido através de Blocos Online, a página temática de maio, etc., clique em:
http://www.blocosonline.com.br/sobre_portal/boletimquinzenal.php

PRÓXIMO INFORMATIVO – Circulará no dia 3 de maio, ou em outros dias, no caso de “edições extraordinárias”.

Querendo desinscrever-se do portal, envie e-mail para:

blocosnoticias-unsubscribe@yahoogrupos.com.br

Renascimentos…

Falecimento de Dante Milano (1991, Rio de Janeiro/RJ)
Nascimento de Paulo Eiró ( 1836, Santo Amaro/SP)
Nascimento de Abgar Renault (1901, Barbacena/MG)
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Temática brasileira: Alvinópolis/MG, Virginia Schall
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Delito (*)

Apresento minha reflexão:
Poeira acumulada nos dias.
No passado contestei
a arrumação das gavetas,
e os artigos guardados de paz e guerra.
Só agora compreendo o motivo,
a ordem necessária para
que a vida possa fluir na terra.
No presente,
gavetas vazias.
Conteúdo a  ser reciclado
movimento do hoje
para que se salve o amanhã,
para que talvez não se veja
horizontes desabitados de pássaros
ou oceanos exauridos de peixes
natureza  num choro sem igual.
Plataforma de petróleo
em vez de banco de coral.
Quem ouvirá?
A explosão é iminente,
O sol se faz ardente,
nos queima  forte em buraco atmosférico.
A necessidade de arrumar gavetas persiste.
Insisto em retirar poeira, em lavar os pratos
Até que o detergente
devore o último traço de fome  existente.
Imagino os rostos distantes,
os estômagos rosnantes
de tantos necessitados pela terra.
Penso nas mãos que só alcançam o vazio.
Minha negligência.
Sou ré convicta
Culpada de tanto poluir,
De acumular entulho egoísta
De assassinar a fauna e a flora.
Da gaveta organizada
Retiro o papel e a caneta:
Em documento escrito
minha falta de defesa.
Denuncio a dor que infligi
E aceito assim meu veredicto:
Sou sentenciada a agir:
Minha indiferença
deixarei de uma vez por todas ir…
Sandra  Lira Rodrigues
(*) N.E.: poema escrito originariamente em inglês e traduzido pela própria autora em em 13 de abril de 2010.
……………………….
 O Chapéu na literatura

Chapéus protegem do sol e, além disso, chapéus encantam - aumentam o charme, o glamour e... até a altura da pessoa. Sim, alguns historiadores consideram que o hábito de Napoleão Bonaparte usar chapéu era uma pequena estratégia para parecer mais alto.
Chapéus também marcaram grandes personagens da literatura. Sherlock Holmes, o famoso detetive inglês, usava chapéu. Ernest Hemingway em sua obra O Sol também se levanta, imaginou a protagonista, Brett Ashley, usando um chapéu masculino.
No livro: A Insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, lemos: “Por isso, quando Sabina colocou diante dele o chapéu-coco na cabeça, Franz sentiu-se constrangido...”
Sim, parece que os escritores imaginam belas mulheres usando chapéus masculinos, vejamos o capítulo 9, de Madame Bovary de Flaubert:
“Cem passos adiante, ela parou de novo, e, através do véu do chapéu de homem, que lhe descia para os quadris, distinguia-se-lhe o rosto de uma transparência anilada...”
Livros infantil também enfatizam chapéus, entre eles o capuz “Chapeuzinho vermelho”, a cartola do Chapeleiro Maluco, e um livro mais recente “Daniel adora chapéus, de Mónica Tritone, um chapéu de verdade vem junto com o livro.
Chapéus, chapéus, chapéus! Eu estou torcendo para que a moda do chapéu volte a enfeitar nossas cabeças. E você?
Isabel Furini

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Beauvoir, Maiakovsky, Barros, Frazão, Rodrigues, Meireles

 

Falecimento de Simone de Beauvoir (1986, Paris), depoimento de Lygia Fagundes Telles

 

Simone de Beauvoir

 

Falecimento de Vladimir Maiakovski (1930, Moscou)

Vladimir Maiakovski

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Dia da América e Panamericano, Nel Meireles

Temática ecológica: Sandra Lira Rodrigues

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Auto-Retrato Falado

Venho de um Cuiabá garimpo e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda de bananas no Beco
              Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá, entre bichos do chão,
              pessoas humildes, aves, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar
              entre pedras e lagartos.
Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz.
Já publiquei 10 livros de poesia; ao publicá-los me
              sinto como que desonrado e fujo para o
              Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não
me achei - pelo
              que fui salvo.
Descobri que todos os caminhos levam à ignorância.
Não fui para a sarjeta porque herdei uma fazenda de
              gado. Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer no moral, porque só
              faço coisas inúteis.

                   Manoel de Barros

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O Revólver dos Beatles

No ano de 1966 ganhei dos Beatles um revólver. As pessoas da casa nunca tinham visto uma arma tão estranha. Não era de aço, não tinha cano nem tambor. Mas como era certeira! Se o apontasse para o taxista ele não corria perigo. A senhora Eleonor Rigby (uma inglesa que morava no apartamento ao lado) não precisava esconder a carteira dentro do sutiã, o dorminhoco do segundo andar podia dormir tranqüilo, e aqui e acolá se estabelecia a ordem. Os marinheiros navegavam em submarinos amarelos, as moças diziam o que queriam dizer, e os dias sempre amanheciam ensolarados.
Embora não tivesse calibre nem balas, o revólver que ganhei dos Beatles era mais poderoso do que qualquer canhão. Dos seus tiros os pássaros não fugiam e ao som do tiroteio qualquer passarinho podia cantar. O revólver não tinha dono. E por mais que o Dr. Robert (o americano do oitavo andar) afirmasse que ele era só seu, a verdade é que não era só dele. Era nosso e de quem o quisesse na sua vida. E como se quis! Mas como do amanhã ninguém sabe, chegou o dia que o colocaram de lado. Trocaram-no por um tal revólver de um certo Dr. Colt. Um homem sisudo, amargo que nem fel. Dizem que sofria dos males da bílis e das alucinações das enxaquecas.
Não sei se por causa do amargor dos tempos ou de uma sociohepatite endêmica, as pessoas guardaram o revólver dos Beatles nas gavetas e encaixaram o do Dr. Colt nas cartucheiras. Os marinheiros pintaram de cinza o submarino amarelo; a senhora Eleonor Rigby mandou colocar três trancas na porta; o taxista que a servia deu de ter medo dela e dos outros passageiros; o dorminhoco passou a sofrer de insônia; John Lennon foi abatido na porta de casa e a polícia e os bandidos se espalharam por aqui e acolá.
Durante todos esses anos preservei na vitrola o revólver que ganhei dos Beatles. Vez por outra o empunho... quando os tempos estão sombrios e o mundo precisa dar uma chance à PAZ .

Marcia Frazão