sábado, 11 de dezembro de 2010

100 anos de Noel Rosa

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937) foi um sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil. Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro e no "asfalto", ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época - fato de grande importância, não só o samba, mas a história da música popular brasileira.

Noel Rosa nasceu de um parto muito difícil, que incluiu o uso de fórceps pelo médico obstetra, como medida para salvar as vidas da mãe e bebê. Além disso, nasceu com hipoplasia(desenvolvimento limitado) da mandíbula (provavel Sindrome de Pierre-Robin) o que lhe marcou as feições por toda a vida e destacou sua fisionomia bastante particular.

Criado no bairro carioca de Vila Isabel, primeiro filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento.

Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música — e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo tornou-se figura conhecida da boemia carioca. Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

Em 1929, Noel arriscou as suas primeiras composições, Minha Viola e Toada do Céu, ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de Com que roupa?, um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro. Essa música ele se inspirou quando ia sair com os amigos, a mãe não deixou e escondeu suas roupas, ele, com pressa perguntou: "Com que roupa eu vou?" Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequência de canções que primam pelo humor e pela veia crítica. Orestes Barbosa, exímio poeta da canção, seu parceiro em Positivismo, o considerava o "rei das letras". Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como Feitiço da Vila e Palpite Infeliz. Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-seMário Reis, Francisco Alves e Aracy de Almeida.

Noel teve ao mesmo tempo várias namoradas e foi amante de muitas mulheres casadas. Casou-se em 1934 com Lindaura Medeiros Rosa, mas era apaixonado mesmo por Ceci (Juraci Correia de Araújo), a prostituta do cabaré, sua amante de longa data. Era tão apaixonado por ela, que ele escreveu e fez sucesso com a música "Dama do Cabaré", inspirada em Ceci, que mesmo na vida fácil, era uma dama ao se vestir e ao se comportar com os homens, e o deixou totalmente enlouquecido pela sua beleza. Foram anos de caso com ela, eles se encontravam no cabaré a noite e passeavam juntos, bebiam, fumavam, andavam principalmente pelo bairro carioca da Lapa, onde se localizava o cabaré. Ele dava-lhe presentes, joias, perfumes, ela o compensava com noites inesquecíveis de amor. Noel passou os anos seguintes travando uma batalha contra a tuberculose. A vida boêmia, porém, nunca deixou de ser um atrativo irresistível para o artista, que entre viagens para cidades mais altas em função do clima mais puro, sempre voltava para o samba, à bebida e o cigarro, nas noites cariocas, cercado de muitas mulheres, a maioria, suas amantes. Mudou-se com a esposa para Belo Horizonte, lá, Lindaura engravidou, mas sofreu um aborto, e não pôde mais ter filhos, por isso Noel não foi pai. Da capital mineira, escreveu ao seu médico, Dr. Graça Melo: “Já apresento melhoras/Pois levanto muito cedo/E deitar às nove horas/Para mim é um brinquedo/A injeção me tortura/E muito medo me mete/Mas minha temperatura/Não passa de trinta e sete/Creio que fiz muito mal/Em desprezar o cigarro/Pois não há material/Para o exame de escarro". Trabalhou na Rádio Mineira e entrou em contato com compositores amigos da noite, como Rômulo Pais, recaindo sempre na boêmia. De volta ao Rio, jurou estar curado, mas faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel no ano de 1937, aos 26 anos, em consequência da doença que o perseguia desde sempre. Deixou Lindaura viúva e não foi pai de nenhum filho. Lindaura e dona Martha cuidaram dele até o fim.

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  • Neste ano de 2009, ao por do sol da véspera deste dia, inicia-se a comemoração das festividades de Chanucá pelos judeus. As festividades duram oito dias.
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Embaixadores da paz

Leila e Urha foram agraciados com o título de Embaixadores da Paz - Brasil, pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix (Suisse/France). Agradecemos ao Embaixador Darlan Alberto Tupinambá Araújo Padilha (Dimythryus) pela indicação e empenho e à Presidente da entidade, Gabrielle Simond, pela outorga de tal insígnia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sobre poesia, lixo e inocência

 

A poesia sempre teve um olhar muito intenso sobre as injustiças sociais tão entranhadas na alma da Terra de Vera Cruz.
No dia 27 de Dezembro de 1947, Manoel Bandeira escreveu: "Vi ontem um bicho / na imundície do pátio / catando comida entre os detritos. / Quando achava alguma coisa, / não examinava nem cheirava: / engolia com voracidade. / O bicho não era um cão, / não era um gato, / não era um rato. / O bicho, meu Deus, era um homem".
Este poema hoje é um clássico, não só por sua evidente força literária, mas por sua constante e trágica atualidade. O que poderia ser a descrição poética de uma cena pontual, vista pelo poeta no Rio de Janeiro, dois dias depois do Natal, há 57 anos, sempre foi, mesmo antes da existência do poema, o retrato diário de milhares de habitantes deste nosso "gigante deitado em berço esplêndido".
Nas últimas décadas, o personagem de Bandeira alargou-se, não é mais um homem, é toda a família fuçando restos de comida, de roupa, do que for útil para o momento.
As mazelas sociais do Brasil são frutos de análises, estudos, poemas, filmes, promessas, mas nunca houve realmente uma solução prática para nossa estrutura social excludente. Nem acredito que possa haver. Somos uma nação destinada ao avesso. O exemplo mais claro disso é a atividade de catadores de lixo. O que poderia ser algo ecologicamente responsável, estruturalmente organizado, torna-se mais uma válvula de escape para desempregados, mais uma atividade vestida com as malhas da informalidade.
Os catadores espalham-se pela cidade das mais diversas formas. Já há entre eles uma divisão de classes. Os mais ricos andam com algo entre o jipe e o trator, estranho, barulhento. Um veículo normalmente construído com peças velhas, enferrujadas, cuja cabine de madeira o faz parecer um carrinho de brinquedo gigante. Contrasta com o luzimento agressivo dos carros importados. Numa espécie de classe média alta, estão os que possuem carroça com cavalo. A tristeza dos cavalos é impiedosa com os sensíveis. Mais abaixo, estão aqueles que puxam o papelão com bicicleta. A pessoa e a bicicleta muito magros, puxando uma quantidade absurda de papel, plásticos, embalagens. Por fim, aqueles que não tem motor, nem cavalo, nem bicicleta.
Aqueles que tem apenas as pernas e os braços. Cada vez que vejo um destes, lembro-me dos versos finais do poema "Pequenos Coletores de Papel", de Perce Polegatto: "Eles mesmos puxam a carreta / Eles são seus próprios animais". Acompanhando os catadores de todas as classes, vão os cães e as crianças: graciosamente escudados pela inocência.

Rubens da Cunha

domingo, 5 de dezembro de 2010

Aniversários de vida e de morte...

 

Nascimentos

1947 - Egberto Gismonti, compositor brasileiro.

 

Falecimentos

(n. 1840).

sábado, 4 de dezembro de 2010

Fatos históricos de 04 de dezembro

 

 

1642 - Morre o cardeal Richelieu, primeiro-ministro da França. Ele é substituído pelo cardeal Jules Mazarin.
1791 - É publicado na Inglaterra o Britain's Observer, o primeiro jornal de domingo do mundo.
1810 - Decreto de Dom João cria, no Rio de Janeiro, a Academia Real Militar, atualmente chamada de Academia Militar das Agulhas Negras.
1816 - James Monroe é eleito quinto presidente dos Estados Unidos. É a primeira vez que um senador é eleito para o cargo.
1888 - O inventor norte-americano George Eastman registra a câmera Kodak.
1993 - Morre o músico Frank Zappa.
1998 - O buraco na camada de ozônio sobre a Antártica bate recorde, chegando a 13 milhões de quilômetros quadrados.

Santa Bárbara

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Santa Bárbara é uma santa cristã comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, que foi, alegadamente, uma virgem mártir no século terceiro. É considerada a protetora contra tempestades, raios e trovões.

Comemora-se no dia 4 de Dezembro de cada ano.

Santa Bárbara foi, segundo as tradições católicas, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.

Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e, segunda alegam as tradições, "questionava-se" se de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre. Por ser muito bela e, acima de tudo, rica, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.

Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as "desfeitas" da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve contato com cristãos, que lhe contaram sobre os alegados ideais de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria lhe deu o Batismo.

Em certa ocasião, segundo contam as tradições católicas, seu pai "decidiu construir uma casa de banho com duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte".

O seu pai Dióscoro, quando voltou, "reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este fato deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do Olimpo".

Sentença de Morte

"Debaixo de um impulso", como alegam as tradições, "e obedecendo à sua fé, o pai denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte por degolação".

Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.

Ambas foram, segundo alegam os católicos, levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão. Bárbara, segundo alega-se, teve os "seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão ribombou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro".

Não existem quaisquer confirmações de que a lenda de Bárbara seja verdadeira, exceto as fontes católicas.

Atribuições de Santa Bárbara

Depois deste acontecimento contado nesta lenda, Santa Bárbara passou a ser conhecida como "protetora contra os relâmpagos e tempestades" e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.

Oração de Santa Bárbara

Cquote1.pngSanta Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Terceiro ano da morte de Heloneida Studart

heloneida06122007

Jornalista, escritora, política, feminista e mãe, Heloneida atuou como deputada na Alerj por seis mandatos. Ela foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Em 1975, criou o Centro da Mulher Brasileira (CMB), uma das primeiras entidades feministas do país que defendia o direito das mulheres na época da Ditadura.

Heloneida participou do chamado "Lobby do Batom", que defendeu os direitos trabalhistas das mulheres, como os 120 dias de licença-maternidade. Este ano, (2007), Heloneida foi nomeada diretora do Centro Cultural da Alerj e do Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Rio.

 

No dia três de dezembro de 2007, a ex-deputada estadual Heloneida Studart, 75 anos, morreu às 8h30 de uma segunda-feira, de parada cardíaca, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio. Heloneida havia passado por uma cirurgia no coração uma semana antes.