quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Universidade de Berlim oferece curso com escritores famosos

 

 

Desde 1998, a Universidade Livre de Berlim convida autores de best-seller de todo o mundo para dar aulas como professor visitante no curso de formação de escritores, oferecido semestralmente.

Para Raoni Duran já está decidido: no futuro ele quer ser escritor. E, aos 26 anos, o estudante brasileiro de literatura em Berlim já tem uma ideia fascinante para seu primeiro romance. Mas ainda "lhe falta alguma coisa". Ele não tem experiência suficiente para inserir suas ideias artísticas na trama e no modo de escrever adequados.

Quando descobriu o curso em inglês Ler como escritor (Reading as a Writer), no currículo da Universidade Livre de Berlim (FU Berlin, na sigla em alemão), Duran não hesitou e logo se inscreveu. Passar da leitura à escrita já é há muito tempo o seu desejo. "Como escritor é preciso pensar em como o texto realmente funciona, e não sobre os detalhes do texto", opinou o estudante. Foi justamente isso que o ajudou a desenvolver a ideia para um romance.

Aprendendo com os melhores

Quem conduz o curso não é apenas um docente, mas o autor de best-seller Andrew Sean Greer, de São Francisco. Como convidado para a chamada Cadeira de Professor Visitante Samuel Fischer, neste semestre, o norte-americano de 42 anos leciona a 30 estudantes no curso de pós-graduação em Literatura Geral e Comparada. Greer não é o primeiro escritor conhecido que a universidade convida para dar aulas como professor visitante em Berlim.

A cadeira – patrocinada pela universidade, pelo Ministério do Exterior alemão e pela Editora Fischer – já existe desde 1998. Entre os convidados anteriores estão grandes nomes internacionais como o Nobel de Literatura japonês Kenzaburo Oe, o autor austro-alemão Daniel Kehlmann e um dos escritores africanos mais importantes da atualidade, o somali Nuruddin Farah. Greer, por sua vez, tornou-se mundialmente conhecido com os romances As confissões de Max Tivoli e A história de um casamento.

Andrew Sean Greer acredita que qualquer pessoa pode escrever livros

Outras culturas

O curso de Greer é baseado na observação de que, durante a leitura, os jovens escritores assumem a perspectiva de um crítico literário. No entanto, seria mais produtivo procurar impulsos para o próprio trabalho. "Eu quero que meus alunos fiquem cientes de suas possibilidades", assinalou Greer. Por esse motivo, ao longo do semestre, eles praticam diversas técnicas literárias, como mudanças de perspectiva e de tempo. O escritor norte-americano está convencido de que qualquer pessoa é capaz de aprender o ofício de escrever livros.

"O intercâmbio com visitantes de todo o mundo é uma parte importante da identidade de nossa universidade", disse o reitor, Peter-André Alt. A FU Berlin detém desde 2007 o status de Universidade de Excelência. Instituições como o professorado visitante Samuel Fischer ajudam os alunos a compreender melhor outras culturas, ganhando assim um entendimento mais profundo de sua própria cultura, disse Alt.

Grande interesse em curso de escrita

Mas o curso de Andrew Sean Greer aborda apenas marginalmente as comparações culturais. Talvez devido à similaridade entre as culturas alemã e norte-americana? De qualquer forma, Greer se sente bastante em casa em Berlim. "A cidade tem simplesmente uma atmosfera de presente e não de passado, embora se possa perceber o passado em toda parte", disse Greer. "E isso é libertador para mim."

Hang (esq.) e Dimitrov: Nem todos sonham com a carreira de escritor

O entusiasmo de Greer pela literatura e pela cidade de Berlim é aparentemente contagiante. Seus alunos estão muito felizes de participar de seu curso de escrita literária. Nem todos querem necessariamente ser escritores, como Raoni Duran. Sarah Hang, de 24 anos, disse ver seu ponto forte na crítica literária. Sua colega Lydia Dimitrov, de 23 anos, já trabalha como tradutora, paralelamente aos estudos. Mas as duas sentem que o curso as enriquece.

O alto nível de satisfação dos alunos também se deve à limitação do número de participantes, disse Peter-André Alt. Ao todo 160 estudantes se inscreveram, mas apenas 30 foram selecionados. Para os candidatos rejeitados, Alt tem uma palavra de consolo. "Felizmente, como o curso é realizado todos os semestres, todos os interessados ​​terão, eventualmente, o prazer de participar", disse o reitor.

Autora: Bianca Schröder (ca)
Revisão: Francis França

http://www.dw.de/universidade-de-berlim-oferece-curso-com-escritores-famosos/a-16508946

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

carta para o amado presente na ausência...

 

Meu amado:
Acordo e fico sabendo que hoje, sete de maio, é Dia do Silêncio. Absolutamente sozinha, mas não há silêncio interior.
Dentro de meu self, alaridos, relembrares, cantares e... até gemidos, arfantes gemidos de paixão.
Quando nos encontramos, descobrimos muitas coisas em comum:o gosto por fotografias, viagens, filmagens, música, praia, ar livre, estradas...
Vou à sala e ligo a TV. Na Net, passa um filme "cult": "O Último tango em Paris", que na Ditadura era proibido no Brasil. O livro, deixaram em cima de minha mesa na Gazeta Comercial, onde eu trabalhava, capa dura, páginas em papel ruim, edição clandestina, como muitos que recebi, então.
Li-o escondidamente, pois, mocinha, temia que papai me surpreendesse lendo livro assim"forte". Quando nos casamos, vim morar em Belo Horizonte onde você, engenheiro civil, trabalhava nas passarelas e viadutos da "Via expressa".
A abertura cultural começava. Você levou-me para ver os filmes antes proibidos. Entre eles, O Império dos Sentidos e O Último tango em Paris. Claro, o primeiro,oriental, mostrava situações inusitadas. Lembro de ficar sem graça, ao sairmos, pois a sala de apresentação era freqüentada por homens, na maioria. Como se os filmes fossem pornográficos, não eróticos.
Belo filme,"O Último Tango em Paris", que mostra a crua condição humana perante a condição sexual, suas repressões e liberações. Maria Schneider repete, num dado momento:"É como brincar de adulto sendo uma criança". O amor não é isso? Nosso lado lúdico, esforçando-se para alcançar as esperadas respostas adultas... E quando o filme finda, entre lágrimas, ela nega tudo e se nega. A respeito do amante, exclama: "Eu não o conheço","Eu não sei quem ele é", "Ele é louco" e "Não sei o nome dele..
Os seres humanos vivem essas angústias permanentes.O Outro quer, de si, saber tudo. E todos temos uma bagagem dentro da alma,do coração, segredos... Se todos apenas usufruíssemos a verdadeira alegria cotidiana de estar-com, de estar-para, sem cobrar a dissecação da personalidade e da história do companheiro, seríamos mais felizes...
Você tinha essa sabedoria. Casada de pouco, pois namoramos, noivamos e casamos em três meses, eu quis, como se oferecesse um presente, contar a você sobre meus amores antigos. Você me abraçou e me silenciou: "Chiu... nada que ficou para trás nos importa". E assim foi. Construímos nossa própria história, sem ciúmes, sem canseiras, sem cobranças... sabedoria pura...
Venho escrever. Na sala,a música-tema do filme. Meu coração se aperta, confrange-me. Nas nossas inúmeras viagens, você sempre a colocava para tocar... Linda...
Volto à sala e desligo a Tv. O silêncio se reinstala no espaço.
Dentro de mim, porém, sua voz. Lembro de quando entramos no mar para fazer amor. Quando caminhávamos no Parque das Mangabeiras aqui em Belo Horiznte, você se encantava quando eu imitava os micos e os chamava para lhes dar o pão que levávamos de casa. Homem sério, você se desmanchava de rir com minhas gaiatices, mandava-me imitar o andar das patinhas em Acuruí. Eu as seguia para desenhar e fotografar, enquanto você pescava os seus pacus... O vôo louco das libélulas fogosas...
Com quem vou rir agora?
Com quem vou falar sobre nebulosas, beija-flores, sobre o canto das pedras? Quem vai buscar corujas para minha coleção? Quem vai me mostrar a trajetória das borboletas?
Onde mais vou ouvir seus murmúrios?
Ah, o silêncio se faz absoluto e penso que você está tirando um cochilo dentro de mim... É aí que você vive agora. Você e sua história,você e nossa história... Como disse um personagem "especial" em um filme (...) "Você vive dentro do coração. É um lugar bem grande para se viver"... Quando trouxeram seus pertences, depois do acidente, em sua agenda, na primeira página encontrei um amarelado papel pautado com uma de minhas poesias de amor, manuscrita. Cheirava levemente a gasolina...
E foi assim que eu tive certeza de que eu também ainda estava dentro de seu seu coração, esse lugar grande demais para se viver, onde podemos ser espaçosos, sermos nós mesmos e fazer todos os rumores necessários, cantarmos todas as canção, dizermos todos os versos e sobretudo, falarmos de nosso amor imorredouro...

                         Clevane

N: Tenho de parar de escrever, porque é impossível enxergar sob as cortinas de cristal líquido que toldam meus olhos...
Até um dia...

Clevane Pessoa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Itinerário de uma viagem à Alemanha

 

 

Bruxelas, 26 de agosto de 1856
Caro filho e irmãos do meu coração,

          O mês de agosto, que (sabem vocês) é tão funesto à minha felicidade, pela tríplice perda que imprimiu em minha existência, começou este ano mais triste e doloroso do que nunca. O coração confrangido, o espírito sempre abtido pela dilacerante recordação da morte da melhor das mães, eu via aproximar-se o primeiro aniversário do dia que a roubou à minha ternura.
          Vocês haviam pensado que Paris exerceria em mim sua costumeira magia. Pois bem, revi-a com indiferença; tornou-se-me monótona e quase insuportável, à medida que o triste aniversário se avizinhava. O abalo cruel que sacudiu todo o meu ser moral mantém-me ainda incapaz de apreciar, como outrora, a vida intelectual de que se frui nesta Atenas moderna.
          Era-me necessário percorrer novos países, nele haurir novas impressões, sob um horizonte mais amplo, em atmosfera mais livre e, conseqüentemente, mais consentâneas com minhas preferências. Importava-me, enfim, ver uma terra-tipo, cujo aspecto sério e respeitável se impusesse a meu espírito pela riqueza de sua natureza, pelo passado grandioso e pelos costumes ainda patriarcais de seu povo. Vocês vêem naturalmente que me decidi pela velha e poética Germânia, a digna pátria de Leibniz e Kant.
          Propondo-me realizar uma perigrinação ao túmulo de venerável amigo, o sábio e bom Duvernoy, preferi entrar na Alemanha pela Bélgica e sair por Kehl, para ir de Estrasburgo a Montbéliard, onde ele quis ser enterrado e onde sua virtuosa viúva me espera para, após minha viagem à Alemanha, retornar comigo a Paris. Sinto que as emoções dessa visita lutuosa, misturadas às que este triste mês me fez experimentar, me teriam incapacitado de ir além.
          Pelas oito horas da manhã, anteontem, 24 de agosto, fechei minha correspondência do Havre para vocês e, entregando a casa à ciada, tomei, com minha filha, uma carruagem que nos conduziu à estrada de ferro do Norte, verdadeira Babilônia de viajantes indo e vindo de todas as direções da França e do exterior.
          Enquanto eu pagava os bilhetes e cuidava da bagagem, estavas lá, diante de mim, ó filho dileto, tu que te encarregavas outrora dessas tarefas, quando eu tinha a felicidade de viajar com mais dois filhos. Agora, minha diligência substituía a tua, que me envaidecia tanto, quando te contemplava desembaraçado, sério e altivo como um jovem do Norte. Desta tua atividade eu esperava sempre melhores dias para tua mãe...
           O sinal de partida arrancou-me de meus pensamentos. Apresso-me em tomar nossos lugares e, um instante depois, o trem voava sobre os trilhos, deixando apenas o tempo suficiente para contemplar as paisagens que se sucediam, ainda sem interesse, sob nossos olhos.
          Já haviam desaparecido atrpas de nós Amiens, depois Arras, com suas reminiscências históricas, a primeira exibe seus canais, fábricas e linda catedral, a segunda evoca o fantasma ainda vivo de Robespierre. Em Valenciennes, paramos mais demoradamente para jantar e ver melhor a velha cidade em que Clóvis III e Carlos Magno realizaram, em 603 e 771, assembléias gerais.
          O percurso de Paris a Valenciennes pareceu-me monótono e triste, certamente por causa da disposição de espírito em que me encontrava. A imagem adorada da minha mãe seguia-me na mesma velocidade em que eu rapidamente percorria novos países, em qualquer parte do mundo, ou no silêncio do meu apartamento. Em Paris, ajoelhada diante de seu retrato, rezara durantes alguns instantes, e meus últimos pensamentos haviam sido dirigidos a ela e a vocês. A prece foi íntima e ardorosa. Senti no coração que minha mãe aprovava a viagem. Quando desci em Valenciennes, sua sombra me indicou a catedral e me precedeu lá.
          Depois de ter ezado por ela, fomos ver o hôtel de ville, as fortificações e a cidade construída por Vauban. A cidade é muito triste, e o mau tempo contribuiu ainda mais para torná-la assim a meus olhos.
          Na direção da fronteira belga, o campo mudou um pouco de aspecto e começou a me agradar mais. A pouca distância de Blanc-Misseron, última estação francesa, e setenta e duas léguas de Paris, atravessamos o limite que separa do solo francês o território belga.
          Chegando a uiévrain, primeira estação belga, submetemo-nos às corriqueiras formalidades aduaneiras. A fisionomia do interior das casas começa aqui a mostrar-se diversa: o poêle substitui, geralmente, à cheminée da França, e um ar de limpeza reina por toda a parte.
          Como na Inglaterra e em Portugal, experimentei emoções novas, tocando o solo de outro país que não a França; vocês sabem, eu sempre preferi esta nação a qualquer outra depois da nossa.
          Mudamos de viatura para tomar um trem belga, cujos lugares de primeira classe são tão bonitos e cômodos como os da França. As cidades, burgos, aldeias, paisagens, toda essa natureza mais ou menos bela, desdobrando-se rapidamente ante meus olhos, lembrava-me os rápidos momentos de minha felicidade, que infelizmente se esvaíram, pobre de mim! apenas eu começava a apreciá-los.
          Contemplando essas cenas variadas das paisagens que percorria, esforçava-me por mergulhar o espírito no seu passado histórico, a fim de desviar a tristeza que me roía mais vivamente o coração, nesse 25 de agosto.
          Alí esta Boussu, vila louçã, com o castelo que serviu de estada ao jovem Luís XIV, em 1655, quando comandou o cerco de Saint-Ghislain, que caiu em seu poder; aqui, Jemmapes, vaidosa de suas ricas hulheiras, a lembrar a célebre batalha que os franceses, comandados pelo General Dumouriez, ganharam contra o exército austríaco; por toda parte, à minha direita e à esquerda, sucedem-se paisagens interessantes, desenrolando-me uma página dos tempos passados. [...]
          Hoje, caros amigos, escrevo-lhes de Bruxelas, onde desembarquei com minha filha, pelas cinco horas, no cais do Sul. Uma pequena viatura, denominada aqui "vigilante", levou-nos ao Hotel da Rússia, onde nos encontramos instalados em belo e confortável quarto.
          Passou, portanto, o vinte e cinco de agosto! Sinto agora que, deixando-nos atordoar pelo silvo gritante do vapor em grande rapidez e pelos pequenos embaraços da bagagem, desendo aqui e ali, nas diversas estações, para percorrer às pressas uma cidade ou uma aldeia diferente, podemos desafiar melhor esta legião de tristes lembranças, fundeadas mais cruelmente em nosso coração, no aniversário da morte de meu ente adorado!...
          Sinto-me fatigada, e muito! Mas essa lassidão me é salutar. É às custas do físico que o moral talvez ressuscite. O corpo ficou inerte durante muito tempo, durante os combates do espírito e os pensamentos do coração! Agora é preciso que ele se agite, e muito, para ver se poderá restaurar esses dois poderes tão profundamente abalados em mim. Terei sucesso? Vê-lo-emos. Pelo menos vocês tomarão conhecimento dos esforços de minha vontade, para conservar uma existência que lhes é cara. [...]
          Mas é a propósito de Bruxelas que agora quero entreter vocês. Não pudemos julgar esta cidade, com base na parte que percorremos do embocadouro até aqui: este trecho é pouco limpo, ocupado pelo comércio da cidade baixa. Assim, se tivéssemos continuado nossa caminhada passando de um cais a outro, não teríamos conhecido o que há de mais belo e notável em Bruxelas, esta cidade, galantemente ataviada em torno de graciosos bulevares e belos edifícios, é edificada, em parte, sobre uma colina elevada e, em parte, em uma rica campina, atravessada pelos vários braços do Sena, rio pequeno em comparação com os nossos. [...]
          A limpeza das ruas e do exterior das casas logo me deu uma imagem positiva, principalmente logo que percorremos uma parte da cidade alta: as ruas são regulares, ornadas de ricas lojas, lindas casas e belos hotéis. As praças públicas e os passeios cheios de gente, algumas pessoas exibindo muito luxo e elegância, compõem a fisionomia de uma verdadeira capital da Europa.
          Empregamos uma parte do dia visitando os museus de Pintura e História Natural, bem como o Palácio da Justiça. Os primeiros encontram-se no Palácio das Belas-Artes, mais geralmente conhecido pelo nome de "Museu". stá situado ao lado de um Palácio utilizado nas exposições dos produtos de indústria nacional. Nesse momento, há uma muito importante.
          O vestíbulo por onde se entra no Palácio das Belas-Artes tem a forma de rotunda. Notável estátua de Hércules acha-se colocada ao pé da grande escada. Os gabinetes de Física e as ricas coleções de História Natural são de grande importância, assim como os quadros e as esculturas. [...].
          O Palácio da indústria engloba rica coleção de modelos de toda espécie, máquinas e instrumentos. Um dos lados é ocupado pela biblioteca real que possui (disseram-me) 200.000 volumes impressos e quase outro tanto de manuscritos; estes últimos sofreram, como todas as coisas da Europa, as mudanças dos vencedores, desde o Marechal de Saxe e Dumouriez, até Napoleão I, que restituiu uma parte.
          O Hôtel de Ville atraiu bem mais nossa atenção. É um velho edifício que oferece, ainda, apesar das devastações sofridas, uma parte de sua antiga magnificência. Entre as salas suntuosas, a graciosa mulher que no-las mostrava destacou aquela onde os antigos estados de Brabante tinham suas assembléias. Distingue-se pela riqueza e lembranças históricas. Mostraram-nos as chaves douradas, apresentadas a Napoleão quando de sua entrada em Bruxelas, cuja visão suscitará em todo viajante filosófo idéias sérias sobre o nada da grandeza humana. [...]

Nísia Floresta Brasileira Augusta

Do livro: Escritoras Brasileiras do Século XIX, vol. 1, 2ª ed., org. Zahidé Lupinacci Muzart, Editora Mulheres, 2000, EDUNISC/SC

Tirar dúvidas sobre a escrita com mestres da Literatura

 

Richard Zimler, Ana Saldanha e Fernando Pinho do Amaral são os convidados da sessão "Livres como Livros", na Biblioteca Almeida Garret, que quer tirar todas as dúvidas sobre o processo de escrever livros, aos fãs da literatura.

É no próximo dia 12 de janeiro que os escritores se reúnem no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett para responder às perguntas dos mais curiosos. "O que o inspira?", "O que lhe traz mais dificuldades?" são apenas algumas das perguntas que poderão ver respondidas.

Richard Zimler, autor de livros como "O Último Cabalista de Lisboa"; Ana Saldanha, de histórias para os mais jovens; e Fernando Pinho do Amaral são os escritores convidados, que partilharão as suas experiências a partir das 18h.

Esta é mais uma sessão do "Livres como Livros", um projeto da Universidade do Porto e da Câmara Municipal do Porto que pretende dinamizar as práticas de leitura na sociedade.

No dia 29, outra sessão da temática "Livros da Minha Vida", onde várias personalidades partilham os seus pensamentos sobre os livros que mais os marcaram, conta com a presença da jornalista Judite de Sousa, do fotógrafo Renato Roque e da pintora Mónica Baldaque. A partir das 21h15, podem ouvir-se excertos de obras como "Os Miseráveis", de Victor Hugo, "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll, ou ainda "As Formigas", de Boris Vian.

O programa completo da iniciativa está em constante atualização e pode ser consultado aqui. As sessões são gratuitas e apenas exigem inscrição prévia, através do endereço bib.agarrett@cm-porto.pt.

http://jpn.c2com.up.pt/2013/01/07/tirar_duvidas_sobre_a_escrita_com_mestres_da_literatura.html

sábado, 5 de janeiro de 2013

Rocha murcha

 

Esta rosa desbotada
Já tantas vezes beijada,
Pálido emblema de amor;
É uma folha caída
Do livro da minha vida,
Um canto imenso de dor!

 

Há que tempos ! Bem me lembro...
Foi num dia de Novembro:
Deixava a terra natal,
A minha pátria tão cara,
O meu lindo Guanabara,
Em busca de Portugal.

 

Na hora da despedida
Tão cruel e tão sentida
P'ra quem sai do lar fagueiro;
Duma lágrima orvalhada,
Esta rosa foi-me dada
Ao som dum beijo primeiro.

 

Deixava a pátria, é verdade,
Ia morrer de saudade
Noutros climas, noutras plagas;
Mas tinha orações ferventes
Duns lábios inda inocentes
Enquanto cortasse as vagas.

 

E hoje, e hoje, meu Deus?!
— Hei de ir junto aos mausoléus
No fundo dos cemitérios,
E ao baço clarão da lua
Da campa na pedra nua
Interrogar os mistérios!

 

Carpir o lírio pendido
Pelo vento desabrido...
Da divindade aos arcanos
Dobrando a fronte saudosa,
Chorar a virgem formosa
Morta na flor dos anos!

 

Era um anjo! Foi pr'o céu
Envolta em místico véu
Nas asas dum querubim;
Já dorme o sono profundo,
E despediu-se do mundo
Pensando talvez em mim!

 

Oh! esta flor desbotada,
Já tantas vezes beijada,
Que de mistérios não tem!
Em troca do seu perfume
Quanta saudade resume
E quantos prantos também!

                     Casimiro de Abreu

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Carta de John Keats a Fanny Brawne

 

Março 1820
(Itália)

Adorável Fanny,

Você teme, algumas vezes, que eu não a ame tanto quanto você  deseja? minha querida Garota, eu a amo sempre e sem reserva. Quanto mais eu a conheci mais eu a amei. De toda forma — mesmo  meus ciúmes tem sido agonias do Amor, no mais forte acesso que  eu jamais tive eu teria morrido por você. Eu a tenho irritado muito, mas por Amor! Que posso fazer? Você está sempre nova  para mim. O último de seus beijos foi sempre o mais doce, o último sorriso o mais brilhante, o último movimento o mais  gracioso. Quando você passou na janela de minha casa ontem eu me enchi de tanta admiração como se eu a tivesse visto pela primeira vez.
Você proferiu uma queixa, uma vez, que somente amei sua  Beleza. Não tenho mais nada a amar em você que isto? Não vejo  um coração naturalmente provido de asas emprisionado comigo? Nenhuma expectativa de doença foi capaz de mover meus  pensamentos em você para longe de mim. Isto talvez seja tanto um assunto de tristeza como alegria — mas eu não falarei sobre isso. Mesmo se você não me amasse eu não poderia evitar uma completa devoção a você: imagine quanto mais profundo deve ser meu amor, sabendo que você me ama. Minha mente tem sido a mais descontente e impaciente que alguém jamais colocou num corpo, que é muito pequeno para ela. Eu nunca senti minha mente repousar sobre nada com felicidade completa e sem distração, da maneira que repousa em você.
Quando você esta no quarto meus pensamentos nunca voam para fora da janela: você sempre concentra todos os meus sentidos inteiramente. A ansiedade mostrada acerca de nosso Amor em sua última carta é um imenso prazer para mim; entretanto você não deve sofrer tais especulações que a molestem: nem posso eu acreditar que você tenha o menor ressentimento contra mim. Brown partiu — mas aqui está Mrs. Wylie. Quando ela se for eu estarei acordado para você.

Lembranças à sua mãe
Seu apaixonado
J Keats

                                                                    John Keats

______

Carta endereçada a Fanny Brawne, vizinha de Keats pela qual ele se apaixonou, não podendo porém se casar, pois, os médicos já tinham diagnosticado a doença que mataria o poeta inglês um ano depois, a tuberculose.

http://www.blocosonline.com.br/literatura/arquivos.php?codigo=cl/cl03/cl031201.htm&tipo=prosa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mulheres são destaque na literatura em 2012


 


Se na antiguidade as mulheres eram mantidas bem longe dos livros, em muitos casos analfabetas, hoje elas estão mais próximas da literatura do que nunca. Atualmente, não só são leitoras mais assíduas – 53% contra 47% dos homens, de acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro (IPL) no Brasil – como também tiveram um grande destaque na produção de sucessos literários durante 2012.

Além do fenômeno Cinquenta Tons de Cinza, escrito pela inglesa E.L.James, tivemos muitos outros destaques femininos, confira só:

 


 

Hilary Mantel: A escritora britânica ganhou pela segunda vez em 2012 o Man Booker Prize, mais importante prêmio literário de língua inglesa do mundo, com seu livro Bring up the Bodies. A publicação é a segunda parte de sua trilogia histórica sobre Thomas Cromwell, um dos homens de confiança do Rei Henrique VIII. O foco neste segundo volume é a trama que acabou resultando na morte de Ana Bolena, segunda mulher do monarca inglês. A escritora foi a primeira mulher a ganhar duas vezes o prestigiado prêmio de melhor livro do ano.

 

 

Louise Erdrich: A americana ganhou este ano o National Book Award de ficção, um dos mais importantes prêmios do universo literário nos Estados Unidos. A obra, The Round House, conta a história de um filho que quer vingar a mãe, uma nativa-americana da tribo Ojibwe, que foi violada. A publicação também foi nomeada para o famoso prêmio Pulitzer.

 


 

 

Almudena Grandes: a escritora espanhola teve seu último romance El Lector de Julio Verne eleito como o melhor livro do ano pelo respeitado jornal espanhol El País. A publicação conta as percepções de Nino, filho de um guarda civil, sobre as leis que regem uma guerra e a relação que o garoto estabelece com a literatura.

http://colunas.revistamarieclaire.globo.com/ralstonites/2012/12/28/mulheres-sao-destaque-na-literatura-em-2012/