quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Juiz manda recolher trilogia '50 tons de cinza' em livrarias de Macaé, RJ

 

Decisão, no Norte Fluminense, diz que só livro lacrado pode ser vendido.
Segundo juiz, ele se baseou no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Oficial de justiça aguarda dono da loja Nobel Macaé assinar mandado de intimação (Foto: Carolina Burgos/G1)

Oficial de Justiça aguarda dono da loja Nobel Macaé assinar mandado de intimação (Foto: Carol Burgos/G1)

Um juiz de Macaé, no Norte Fluminense, determinou o recolhimento dos livros  “Cinquenta tons de cinza”, “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade”, da autora E. L. James, das livrarias. Segundo a ordem de serviço assinada por Raphael Baddini, da Segunda Vara de Família, da Infância, da Juventude e do Idoso, estas e outras publicações consideradas "impróprias" não podem ser expostas nos estabelecimentos sem lacre.

Apesar de a decisão, da última sexta-feira (11), valer para outros livros, o juiz cita por diversas vezes a  a trilogia. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça,  desde a determinação, 64 volumes foram recolhidos em duas livrarias da cidade – Nobel e Casa do Livro. Onze eram de títulos da trilogia e, os outros, de 19 obras diferentes.

Os livros foram levados para a 2ª Vara. De acordo com o magistrado, a iniciativa foi motivada após ele  ter verificado pessoalmente, em uma livraria da cidade, crianças perto das vitrines onde livros com conteúdo erótico estavam expostos.  “A ordem de serviço é uma forma de garantir que a lei seja cumprida", diz o juiz. "Uma criança ou adolescente pode pegar um dos livros em uma prateleira e ter acesso a um conteúdo inapropriado para sua idade. Eles precisam ser protegidos”, afirma.

A loja Nobel de Macaé, que fica no shopping da cidade, recebeu comissários de Justiça  na segunda-feira (14). Segundo o proprietário da loja, Carlos Eduardo Coelho, na ocasião não havia mais nenhum exemplar, pois todos já tinham sido comercializados. Apesar disso, foram recolhidas outras publicações. “Eles entraram procurando pela trilogia especificamente", diz Coelho. "Como não encontraram, acabaram olhando outros livros. Não questiono a lei, mas a forma de abordagem, já que não deram nenhuma orientação, ou fizeram alguma notificação anteriormente", diz ele, que afirma que as prateleiras do público infanto-juvenil são separadas.

Ao todo, no estabelecimento, foram recolhidos sete volumes do livro “Algemas de Seda – A História de Jake Mimi”, de Frank Baldwin; um volume de “Dominique, Eu”, de Dommenique Luxor e sete volumes do livro “50 Versões de Amor e Prazer – Col. Muito Prazer”, de Rinaldo de Fernandes.
“Não fica claro, por exemplo, qual o critério utilizado por eles para escolherem aqueles exemplares em específico, já que não há nada no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] sobre os que são inadequados, ou não”, diz.

Livros foram expostos já lacrados nesta quinta-feira (17) (Foto: Carolina Burgos/G1)

Livros lacrados nas livrarias (Foto: Carol Burgos/G1)

Oficial de Justiça esteve na livraria nesta quinta (17)
Na tarde desta quinta-feira (17), um oficial de Justiça esteve na loja Nobel com objetivo de  entregar um mandado de intimação sobre os 15 exemplares recolhidos. Segundo ele, que disse não poder falar com a imprensa, os livros podem ser solicitados pela livraria e devolvidos no prazo de cinco dias. Segundo o Tribunal de Justiça, para isso é preciso que os estabelecimentos cumpram o que está previsto no artigo 78 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele ainda informou que as obras que estavam no estoque dos estabelecimentos não foram recolhidas.
Na loja, os livros da trilogia estavam novamente nas prateleiras, mas lacrados e postos no mais alto local de exposição.
Decisão
O artigo 78 do ECA, usado como base pelo juiz, diz que “revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”.
Na determinação,  o juiz Raphael Baddini indica verificar se a trilogia está sendo comercializada protegida com embalagem que impeça o seu manuseio e, ainda, com a advertência de seu conteúdo. Também determina a fiscalização da locação, entrega, fornecimento e empréstimo, ainda que gratuitos, dos livros da trilogia a crianças e adolescentes.

A decisão é estendida a outras publicações de conteúdo “de mesma natureza e espécie” da trilogia, que seriam obras  “de conteúdo erótico, com descrição de cenas de sexo explícito, bem como de outras práticas sexuais, salvo as de natureza estritamente didática compatíveis com o nível de escolaridade do menor”.
Opiniões
Entre os clientes, a decisão dividiu opiniões. “Eu geralmente compro um livro quando ele é indicado por alguém. Não venho à livraria e fico folheando e acho muito difícil algum adolescente pegar um livro e abrir justamente na página, ou conteúdo que não é próprio”, opina a estudante de administração Marcela Oliveira.

Casal Gisele e Tiago divergem em opinião  (Foto: Carolina Burgos/G1)

O casal Gisele e Tiago (Foto: Carol Burgos/G1)

“Acho que com tanto conteúdo disponível hoje em dia, se a gente ficar falando em proibição aí é que vai instigar a curiosidade. Outros livros que são considerados para o público jovem induzem a pensamentos que não acho correto, por exemplo”, diz Gisele Martins. O namorado de Gisele, Tiago Nascimento, acredita que os livros devem ser postos em locais reservados. “Cheguei à conclusão que não devem estar lacrados, mas postos em local apropriado, específico”, argumentou.
Segundo o dono da Nobel Macaé, os livros apresentados na loja já são entregues pela editora da forma que são apresentados, além disso, a venda e acesso aos conteúdos são fiscalizados por funcionários. “Nunca iríamos vender um livro adulto para uma criança, ou adolescente e os funcionários fiscalizam a loja. As crianças, por exemplo, já vão direto para a parte delas e os adolescentes precisariam abrir, ler e nós temos controle”, afirmou.

http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2013/01/juiz-proibe-exposicao-da-trilogia-cinquenta-anos-de-cinza-sem-lacre.html

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Turquia elimina lista de livros proibidos, mas mantém censura

 

A Turquia começou o ano eliminando uma lista de livros proibidos, mas este avanço, sobretudo simbólico, não mudou a mentalidade das autoridades com relação à censura, segundo diversos escritos e editores do país.

"É difícil proibir ou queimar livros no mundo atual e o governo turco se sentiu obrigado a abolir uma lista de livros proibidos que hoje já não faz sentido", disse à Agência Efe em conversa por telefone o escritor Burhan Sönmez.

Sönmez se referia à notificação da Procuradoria do Estado, que em dezembro anunciou que iria eliminar uma "lista negra" de 453 livros e 645 publicações, cuja difusão tinha sido proibida em décadas passadas.

Ao não ser recorrida, a decisão entrou em vigor neste mês, mas de acordo com escritores e editores, o passo não significou nenhuma mudança, já que muitas destas obras eram vendidas há anos sem que o público soubesse que eram proibidas.

Entre os livros agora oficialmente "autorizados", estão marcos como as obras completas do poeta nacional Nazim Hikmet e a sátira "Azizname" do muito popular escritor Aziz Nesin, assim como textos clássicos na história do pensamento político, como o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels.

Mas Meltem Gürle, professor de Literatura na Universidade Bogazici de Istambul, acredita que "embora a lista de livros proibidos desapareça, a mentalidade de censura continua existindo. É contra essa mentalidade que é preciso lutar".

É que as autoridades turcas continuam censurando livros que não são de seu agrado, explica à Efe Bilge Sanci, diretora-executiva da editora Sel, levada aos tribunais pela série "Livros Sexuais", na qual figuram autores como Guillhaume Apollinaire e textos clássicos como o Kama Sutra, o grande livro indiano do erotismo.

A obra de Apollinaire, As Façanhas de um Jovem Don Juan, foi considerada "não literária" pela comissão governamental para a proteção da infância contra publicações nocivas.

No entanto, um tribunal decidiu que o livro devia ser classificado como obra artística e portanto, não cai na categoria de "livros obscenos", cuja divulgação possa ser proibida.

"Mas a Corte Suprema anulou esta decisão e o livro em breve pode voltar às lojas. Embora há tempos não perdemos um processo, sempre há dúvidas", disse Bilge. Também o romance A Máquina Branda, de William Burroghs, deu voltas pelos tribunais durante um ano e meio. 

Coños, do espanhol Juan Manuel de Prada, por outro lado foi considerado "obra literária" pela Comissão Governamental, da mesma forma que outras duas obras de Burroughs, provavelmente porque os casos anteriores tinham causado uma enorme polêmica, disse Bilge.

"Esta tragicomédia continuará enquanto não houverem reformas profundas que mudem a mentalidade do Estado, que trata os cidadãos como crianças que devem ser protegidas e educadas segundo códigos morais nacionais", adverte.

Um exemplo recente aconteceu neste mês, quando o Ministério de Educação turco tentou eliminar dos colégios dois clássicos da literatura: Ratos e Homens, de John Steinbeck, e Meu Pé de Laranja Lima, um clássico juvenil do brasileiro José Mauro de Vasconcelos.

As razões dessas proibições são, no primeiro caso, uma conversa que acontece em um bordel, e no segundo, porque a criança protagonista recita uma canção sobre uma mulher nua. Curiosamente, ambas as obras estão na lista dos cem textos fundamentais do próprio Ministério da Educação.

A editora Bilge ressalta que os casos de "obscenidade", como o de Steinbeck, são os mais absurdos e os que provocam maior polêmica internacional, mas que não são um fenômeno novo e nem se renderam à censura política, especialmente no âmbito dos direitos da população curda.

"Com um livro de Marx não acontece nada, mas quando se trata da questão curda ou do debate do genocídio (armênio), a censura segue funcionando", conclui a editora.

 

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/turquia-elimina-lista-de-livros-proibidos-mas-continua-censurando-literatura,d62f324b21b2c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

sábado, 12 de janeiro de 2013

Academia de ciências nos EUA cria selo para livros 'verossímeis'

 

Com avanços tecnológicos, credibilidade de trama se tornou um desafio para autores de romances policiais.

Nova York - Muitas tramas de romances policiais caem por terra quando os leitores desconfiam da verossimilhança dos acontecimentos. E enquanto escritores tentam garantir que suas histórias sejam críveis e plausíveis, uma organização científica dos Estados Unidos passou a oferecer um selo de aprovação para livros que acertaram na exposição dos fatos.

Não é uma tarefa fácil, a dos escritores. A ficção policial hoje requer um profundo conhecimento de áreas técnicas e científicas, essencial para o roteiro - e que muitas vezes leva a situações difíceis de serem descritas em palavras e de forma precisa.

Agora, a Academia de Ciências de Washington (WAS na sigla em inglês), criada em 1898 por Alexander Graham Bell - o inventor do telefone -, deu início a um projeto que dá selos de aprovação para livros que tenham fatos científico corretos.

"Muito lixo é publicado atualmente na área de ciência", diz Peg Kay, escritora e membro da WAS. Segundo ela, esse declínio deve-se à pressão comercial e à falta de bons editores por esse declínio.

"Tudo que os agentes querem é atingir as massas. Ninguém sabe mais no que acreditar porque não há mais filtro."

O presidente da WAS, Jim Cole, afirma que muitas pessoas acompanham séries de ciência da TV, como CSI, que podem dar a impressão de que a tecnologia pode resolver qualquer crime.

"A ciência da maneira como é percebida pelo público não é necessariamente a ciência correta", diz Cole.

"Com autores publicando na internet sem editoras, acho que essa questão vai ganhar ainda mais importância no futuro, sobre o que é real e o que não é."

http://www.d24am.com/plus/literatura/academia-de-ciencias-nos-eua-cria-selo-para-livros-verossimeis/77963

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Literatura-Prêmio: Biblioteca Nacional anula resultado de premiação

 

FolhaPress

Por Raquel Cozer
SÃO PAULO, SP, 11 de janeiro (Folhapress) - A Fundação Biblioteca Nacional voltou atrás na decisão de agraciar a obra "Poesia 1930-62" (Cosac Naify), de Carlos Drummond de Andrade (1902-87), organizada por Júlio Castañon Guimarães, no Prêmio de Poesia Alphonsus de Guimaraens. O novo vencedor ainda não foi anunciado.
O resultado, divulgado em 21 de dezembro, foi questionado por recurso enviado pelo poeta Marcus Fabiano, que concorria ao prêmio. Uma petição on-line pela anulação do resultado reuniu, nos últimos dias, 250 assinaturas.
O argumento principal para a anulação era o de que, segundo o edital, a inscrição só poderia ser feita pelo autor ou pela editora mediante autorização por escrito do autor -que, no caso, morreu há mais de 25 anos. Na lista divulgada pela FBN, Bernardo Ajzenberg, diretor executivo da Cosac Naify, aparecia como vencedor por ser "detentor de direitos autorais".
O recurso apresentado à instituição também questionava a possibilidade de a obra ter sido julgada como edição crítica. "O certame não poderia avaliar ensaios ou textos desse teor, mas apenas poesia propriamente dita", dizia o texto.
Na semana passada, os jurados -os poetas Carlito Azevedo, Francisco Orban e Leila Míccolis- se reuniram na Biblioteca Nacional, no Rio, mas não conseguiram chegar a um consenso sobre o novo livro a ser premiado, motivo pelo qual a instituição não anunciou a decisão no início desta semana.
Foram então indicadas três obras para que o Departamento de Economia do Livro escolha a vencedora. Segundo a FBN, o resultado deve ser conhecido entre hoje e o início da semana que vem.

http://www.jornalacidade.com.br/editorias/caderno-c/2013/01/11/literatura-premio-biblioteca-nacional-anula-resultado-de-premiacao.html

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LITERATURA: Ariano Suassuna ministra aula espetáculo em JP nesta quinta-feira

 

LITERATURA: Ariano Suassuna ministra aula espetáculo em JP nesta quinta-feira

O escritor paraibano Ariano Suassuna ministra aula espetáculo nesta quinta-feira (10), às 19h30, no auditório da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, no bairro do Altiplano. A aula faz parte das comemorações do centenário do livro “Eu” de Augusto dos Anjos promovida pela Procuradoria Geral do Estado (PGE/PB) e a Academia Paraibana de Letras (APL) com entrada aberta ao público.   
Os organizadores do evento irão disponibilizar um telão, no anfiteatro da Estação Cabo Branco, para que o público, que não conseguir poltrona no auditório para 500 pessoas, possa acompanhar do lado de fora pelo telão.   
Na mesma ocasião, o escritor será agraciado com a medalha “Procurador José Américo de Almeida”, a mais alta honraria do órgão, que está sendo outorgada, pela primeira vez, como forma de prestar homenagem a um dos paraibanos que mais contribuíram para difusão da cultura local.   
A aula espetáculo que será ministrada pelo escritor intitula-se “A Paraíba, um estado de poésis”, em falará sobre a poeticidade de Augusto dos Anjos. 

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20130110052714&cat=cultura&keys=literatura-ariano-suassuna-ministra-aula-espetaculo-jp-nesta-quintafeira

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Universidade de Berlim oferece curso com escritores famosos

 

 

Desde 1998, a Universidade Livre de Berlim convida autores de best-seller de todo o mundo para dar aulas como professor visitante no curso de formação de escritores, oferecido semestralmente.

Para Raoni Duran já está decidido: no futuro ele quer ser escritor. E, aos 26 anos, o estudante brasileiro de literatura em Berlim já tem uma ideia fascinante para seu primeiro romance. Mas ainda "lhe falta alguma coisa". Ele não tem experiência suficiente para inserir suas ideias artísticas na trama e no modo de escrever adequados.

Quando descobriu o curso em inglês Ler como escritor (Reading as a Writer), no currículo da Universidade Livre de Berlim (FU Berlin, na sigla em alemão), Duran não hesitou e logo se inscreveu. Passar da leitura à escrita já é há muito tempo o seu desejo. "Como escritor é preciso pensar em como o texto realmente funciona, e não sobre os detalhes do texto", opinou o estudante. Foi justamente isso que o ajudou a desenvolver a ideia para um romance.

Aprendendo com os melhores

Quem conduz o curso não é apenas um docente, mas o autor de best-seller Andrew Sean Greer, de São Francisco. Como convidado para a chamada Cadeira de Professor Visitante Samuel Fischer, neste semestre, o norte-americano de 42 anos leciona a 30 estudantes no curso de pós-graduação em Literatura Geral e Comparada. Greer não é o primeiro escritor conhecido que a universidade convida para dar aulas como professor visitante em Berlim.

A cadeira – patrocinada pela universidade, pelo Ministério do Exterior alemão e pela Editora Fischer – já existe desde 1998. Entre os convidados anteriores estão grandes nomes internacionais como o Nobel de Literatura japonês Kenzaburo Oe, o autor austro-alemão Daniel Kehlmann e um dos escritores africanos mais importantes da atualidade, o somali Nuruddin Farah. Greer, por sua vez, tornou-se mundialmente conhecido com os romances As confissões de Max Tivoli e A história de um casamento.

Andrew Sean Greer acredita que qualquer pessoa pode escrever livros

Outras culturas

O curso de Greer é baseado na observação de que, durante a leitura, os jovens escritores assumem a perspectiva de um crítico literário. No entanto, seria mais produtivo procurar impulsos para o próprio trabalho. "Eu quero que meus alunos fiquem cientes de suas possibilidades", assinalou Greer. Por esse motivo, ao longo do semestre, eles praticam diversas técnicas literárias, como mudanças de perspectiva e de tempo. O escritor norte-americano está convencido de que qualquer pessoa é capaz de aprender o ofício de escrever livros.

"O intercâmbio com visitantes de todo o mundo é uma parte importante da identidade de nossa universidade", disse o reitor, Peter-André Alt. A FU Berlin detém desde 2007 o status de Universidade de Excelência. Instituições como o professorado visitante Samuel Fischer ajudam os alunos a compreender melhor outras culturas, ganhando assim um entendimento mais profundo de sua própria cultura, disse Alt.

Grande interesse em curso de escrita

Mas o curso de Andrew Sean Greer aborda apenas marginalmente as comparações culturais. Talvez devido à similaridade entre as culturas alemã e norte-americana? De qualquer forma, Greer se sente bastante em casa em Berlim. "A cidade tem simplesmente uma atmosfera de presente e não de passado, embora se possa perceber o passado em toda parte", disse Greer. "E isso é libertador para mim."

Hang (esq.) e Dimitrov: Nem todos sonham com a carreira de escritor

O entusiasmo de Greer pela literatura e pela cidade de Berlim é aparentemente contagiante. Seus alunos estão muito felizes de participar de seu curso de escrita literária. Nem todos querem necessariamente ser escritores, como Raoni Duran. Sarah Hang, de 24 anos, disse ver seu ponto forte na crítica literária. Sua colega Lydia Dimitrov, de 23 anos, já trabalha como tradutora, paralelamente aos estudos. Mas as duas sentem que o curso as enriquece.

O alto nível de satisfação dos alunos também se deve à limitação do número de participantes, disse Peter-André Alt. Ao todo 160 estudantes se inscreveram, mas apenas 30 foram selecionados. Para os candidatos rejeitados, Alt tem uma palavra de consolo. "Felizmente, como o curso é realizado todos os semestres, todos os interessados ​​terão, eventualmente, o prazer de participar", disse o reitor.

Autora: Bianca Schröder (ca)
Revisão: Francis França

http://www.dw.de/universidade-de-berlim-oferece-curso-com-escritores-famosos/a-16508946

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

carta para o amado presente na ausência...

 

Meu amado:
Acordo e fico sabendo que hoje, sete de maio, é Dia do Silêncio. Absolutamente sozinha, mas não há silêncio interior.
Dentro de meu self, alaridos, relembrares, cantares e... até gemidos, arfantes gemidos de paixão.
Quando nos encontramos, descobrimos muitas coisas em comum:o gosto por fotografias, viagens, filmagens, música, praia, ar livre, estradas...
Vou à sala e ligo a TV. Na Net, passa um filme "cult": "O Último tango em Paris", que na Ditadura era proibido no Brasil. O livro, deixaram em cima de minha mesa na Gazeta Comercial, onde eu trabalhava, capa dura, páginas em papel ruim, edição clandestina, como muitos que recebi, então.
Li-o escondidamente, pois, mocinha, temia que papai me surpreendesse lendo livro assim"forte". Quando nos casamos, vim morar em Belo Horizonte onde você, engenheiro civil, trabalhava nas passarelas e viadutos da "Via expressa".
A abertura cultural começava. Você levou-me para ver os filmes antes proibidos. Entre eles, O Império dos Sentidos e O Último tango em Paris. Claro, o primeiro,oriental, mostrava situações inusitadas. Lembro de ficar sem graça, ao sairmos, pois a sala de apresentação era freqüentada por homens, na maioria. Como se os filmes fossem pornográficos, não eróticos.
Belo filme,"O Último Tango em Paris", que mostra a crua condição humana perante a condição sexual, suas repressões e liberações. Maria Schneider repete, num dado momento:"É como brincar de adulto sendo uma criança". O amor não é isso? Nosso lado lúdico, esforçando-se para alcançar as esperadas respostas adultas... E quando o filme finda, entre lágrimas, ela nega tudo e se nega. A respeito do amante, exclama: "Eu não o conheço","Eu não sei quem ele é", "Ele é louco" e "Não sei o nome dele..
Os seres humanos vivem essas angústias permanentes.O Outro quer, de si, saber tudo. E todos temos uma bagagem dentro da alma,do coração, segredos... Se todos apenas usufruíssemos a verdadeira alegria cotidiana de estar-com, de estar-para, sem cobrar a dissecação da personalidade e da história do companheiro, seríamos mais felizes...
Você tinha essa sabedoria. Casada de pouco, pois namoramos, noivamos e casamos em três meses, eu quis, como se oferecesse um presente, contar a você sobre meus amores antigos. Você me abraçou e me silenciou: "Chiu... nada que ficou para trás nos importa". E assim foi. Construímos nossa própria história, sem ciúmes, sem canseiras, sem cobranças... sabedoria pura...
Venho escrever. Na sala,a música-tema do filme. Meu coração se aperta, confrange-me. Nas nossas inúmeras viagens, você sempre a colocava para tocar... Linda...
Volto à sala e desligo a Tv. O silêncio se reinstala no espaço.
Dentro de mim, porém, sua voz. Lembro de quando entramos no mar para fazer amor. Quando caminhávamos no Parque das Mangabeiras aqui em Belo Horiznte, você se encantava quando eu imitava os micos e os chamava para lhes dar o pão que levávamos de casa. Homem sério, você se desmanchava de rir com minhas gaiatices, mandava-me imitar o andar das patinhas em Acuruí. Eu as seguia para desenhar e fotografar, enquanto você pescava os seus pacus... O vôo louco das libélulas fogosas...
Com quem vou rir agora?
Com quem vou falar sobre nebulosas, beija-flores, sobre o canto das pedras? Quem vai buscar corujas para minha coleção? Quem vai me mostrar a trajetória das borboletas?
Onde mais vou ouvir seus murmúrios?
Ah, o silêncio se faz absoluto e penso que você está tirando um cochilo dentro de mim... É aí que você vive agora. Você e sua história,você e nossa história... Como disse um personagem "especial" em um filme (...) "Você vive dentro do coração. É um lugar bem grande para se viver"... Quando trouxeram seus pertences, depois do acidente, em sua agenda, na primeira página encontrei um amarelado papel pautado com uma de minhas poesias de amor, manuscrita. Cheirava levemente a gasolina...
E foi assim que eu tive certeza de que eu também ainda estava dentro de seu seu coração, esse lugar grande demais para se viver, onde podemos ser espaçosos, sermos nós mesmos e fazer todos os rumores necessários, cantarmos todas as canção, dizermos todos os versos e sobretudo, falarmos de nosso amor imorredouro...

                         Clevane

N: Tenho de parar de escrever, porque é impossível enxergar sob as cortinas de cristal líquido que toldam meus olhos...
Até um dia...

Clevane Pessoa