domingo, 20 de janeiro de 2013

Cultura: como vender a ideia

 

Boas ideias e qualidade artística nem sempre são suficientes na hora de conseguir apoio financeiro

"No final das contas, o patrocinador também é protagonista no projeto", afirma Daniel Leão, produtor cultural e captador de recursos
Daniel Leão
Captador de Recursos

O que é preciso para se conseguir um bom patrocínio para projeto cultural?
A grande diferença hoje em processo de captação de recursos é conseguir envolver o investidor / doador e torná-lo também protagonista daquele projeto, benefício ou promoção cultural. É muito comum abordar empresários e pedir patrocínio sem essa compreensão, sem buscar compreender o que é o negócio dele, o que é sensível aos seus clientes, qual a cultura administrativa. É fundamental compreender cada uma as empresas para identificar o que pode ser sensível na hora da captação. Entender como envolver seus funcionários, em que aspectos o marketing pode, de fato, fazer diferença para ele. Ações diretas na empresa e durante o evento podem ser uma boa também.
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Quais os erros mais recorrentes cometidos pelos artistas?
Costumo ver vários... No momento anterior da captação tem principalmente a falta de diálogo com possíveis patrocinadores. O artista já tem o projeto pronto, não dialogou nem interagiu antes com possíveis patrocinadores nem com outras pessoas que poderiam sugerir incrementos de forma a facilitar o processo de captação. Acontece muito também do orçamento ser acanhado, o artista não soube especificar tudo corretamente ou principalmente esqueceu de contabilizar todos os impostos. Depois do projeto realizado vejo também um desleixo considerável com a prestação de contas. Este tópico deve ir além da apresentação de notas fiscais e recibos. Prestar contas do projeto é mostrar como a imagem do patrocinador foi associada, mostrar como foram atingidos todos os objetivos do projeto, especificar se todas as metas já foram cumpridas e caso-a-caso porque do não atingimento. É preciso perceber o pós projeto como uma parte da captação para as próximas edições, se não o patrocinador pode fechar as portas pra você no futuro.
O que as empresas procuram nos projetos? O que é vantajoso para elas?
Visibilidade da marca é o fundamental. Essa visibilidade deve extrapolar a logomarca no banner, no folder e a assessoria de imprensa, que, geralmente, é apresentada como um "plus" no projeto. Isso não é errado. Só é importante perceber que não é suficiente para dar visibilidade. O proponente deve abrir uma linha de diálogo e pensar junto com o patrocinador em potencial como a marca dele pode ser bem apresentada e associada ao investimento cultural. É importante pensar nos três públicos, os colaboradores, os fornecedores e os clientes do patrocinador, e pensar forma de envolvê-los caso a caso. Tudo que possa associar a marca dele como um agente promotor de cultura. No final das contas o patrocinador também é protagonista no projeto. Ele só não ajudou a concebê-lo, e até poderia. Seria vantajoso por exemplo um projeto de teatro realizar intervenções na empresa, com seus funcionários. Um festival fazer um evento interno para premiação e agradecimentos aos patrocinadores. A assessoria de imprensa do projeto pautar no caderno de economia sobre o investimento cultural feito por esta empresa. Existindo a possibilidade do patrocinador se posicionar, ele se convence de sua participação, a sua empresa se aproxima mais do projeto cultural e ele é de fato associado a cultura.
Projetos coletivos ou individuais, quais têm mais efeito junto às empresas que investem?
Projetos coletivos tem a chance de apresentar alcance maior de visibilidade. Projetos em rede tem a possibilidade de gerar mídias especificas como compilação da experiencia adquirida, documentação dos processos do projeto, etc. Essas mídias são para documentar os processos para a rede. Projetos coletivos também tem a chance de ampliar o publico atingido, então, nesse caso, vai ser preciso observar onde estão os clientes do patrocinador, para entender se valeria a pena para ele o investimento em um projeto com alcance maior do que ele atinge com seus produtos / serviços. Por isso é importante pensar no patrocinador junto com o projeto. Uma empresa de telefonia, por exemplo, poderia investir em um projeto de circulação nacional. Uma empresa de serviços, com alcance estadual, como companhia elétrica, poderia investir em projeto de circulação estadual, e assim por diante.
Como você avalia o cenário do Ceará quanto a este investimento privado em cultura. Existem muitas empresas que investem ou que tenham interesse em investir? O que falta?
A possibilidade de investimento em cultura e em outras áreas está muito associada à isenção fiscal. Para isenção de imposto federal, a empresa deve ser tributada no lucro real. Não são tantas empresas assim aqui no Ceará (não sei precisar a quantidade), diferente do eixo Rio-São Paulo. Para isenção estadual, temos possibilidades na mesma linha e quantidade de empresas. Diante do fato de não existirem tantas empresas com a possibilidade de investimento via isenção, fica a necessidade de pensarmos em que outras maneiras o investimento poderia ser feito, se dentro de verba de marketing, se apresentando formatos com maior retorno ao investidor, etc. Vejo também uma necessidade dos governos em se aproximarem mais dos investidores, seja discutindo as leis de incentivo, seja convencendo quanto ao processo de isenção ou realizando atividades de fomento ao tema da associação da marca empresarial a cultura.
Fábio Marques
Repórter

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1225242

sábado, 19 de janeiro de 2013

Texas terá a primeira biblioteca sem livros físicos

 

Instituição emprestará apenas e-books

Biblioteca digital

A cidade de Bexar Country, no Texas, receberá a BiblioTech, a primeira biblioteca sem livros físicos. Todos os títulos estarão disponíveis apenas em versões digitais.
Funcionará assim: o indivíduo poderá ir até lá, pegar um e-reader e levá-lo para casa. Será possível ficar com o equipamento por até duas semanas – depois disso, ele será bloqueado. É claro que, para evitar furtos, cada um deverá cadastrar endereço e uma série de informações pessoais. Na biblioteca ainda haverá computadores para uso.
A instituição foi idealizada pelo juíz Nelson Wolff, que tem mais de mil livros em sua casa. Segundo ele, o conceito foi inspirado pela biografia de Steve Jobs.
“Se você quer ter uma ideia de como ela se parecerá, vá à Apple Store”, disse o idealizador ao jornal San Antonio Express.
Cada e-reader deverá custar US$ 100 ao governo. O acesso aos primeiros 10 mil livros deverá custar cerca de US$ 250 mil.
A ideia da BiblioTech não é substituir as bibliotecas comuns, mas sim funcionar como um complemento. Afinal de contas, segundo Wolff, sempre haverá demanda pelos livros físicos.

http://olhardigital.uol.com.br/jovem/digital_news/noticias/texas-tera-a-primeira-biblioteca-sem-livros-fisicos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Romance de Daniel Galera conquista crítica e leitores com literatura que foge ao padrão de best-sellers

 

Editora investiu pesado em marketing do livro 'Barba ensopada de sangue'

 

 (Renato Parada/Divulgação )

 

No fim do ano passado, com reflexos entrando janeiro adentro, dois acontecimentos literários chamaram a atenção, por motivos diferentes: o fenômeno dos livros eróticos femininos descartáveis, à la 'Cinquenta tons de cinza', de E. L. James; e o sofisticado romance 'Barba ensopada de sangue', de Daniel Galera, que despertou interesse de leitores (já vendeu 9 mil exemplares) e da crítica. Nascido em 1979, em São Paulo, e criado no Rio Grande do Sul, Galera estreou na literatura em 2001, com o volume de contos 'Dentes guardados', pelo selo editorial Livros do Mal, de Porto Alegre, do qual foi um dos criadores.
Nos anos 2000, outros livros nacionais seguiram enredo semelhante: os romances 'Perdas e ganhos', de 2003, da gaúcha Lya Luft, ficou por várias semanas entre os mais vendidos; e 'Dois irmãos', de 2000, de Milton Hatoum, teve o mérito, pela repercussão obtida entre a crítica, de colocar o escritor amazonense entre os principais nomes da literatura brasileira contemporânea.
Outro romance do mesmo período, 'Filho eterno', de 2007, do catarinense morador de Curitiba Cristovão Tezza, também deu o que falar. História autobiográfica, na qual o escritor, num tom comovente e maduro, narra sua complexa relação com o filho portador de síndrome de Down, o livro garantiu ao autor os mais importantes prêmios literários da temporada.
Para Noemi Jaffe, doutora em literatura brasileira pela USP e crítica literária, livros como 'Cinquenta tons de cinza' são os que, provavelmente, vão dar o tom do cenário que está se configurando no universo literário. “Percebo os leitores aumentando, mas a qualidade diminuindo e acho que a tendência é piorar. Nesse sentido, vejo com bons olhos um fenômeno de vendas como está ocorrendo com 'Barba ensopada de sangue', embora não se compare aos 'Cinquenta tons', porque estimula uma leitura maciça, de qualidade”, pontua.

SAIBA MAIS...

Autora de 'A verdadeira história do alfabeto', Noemi acha que Barba ensopada de sangue é até agora, o melhor livro de Daniel Galera, independentemente do fato de ter sido cercado por uma campanha midiática forte, com direito a três capas diferentes. “Certamente é um marco nesse sentido: da aposta em torná-lo o novo nome da literatura brasileira. Mas o livro é realmente bom, embora seja preciso esperar ainda bastante tempo para afirmar algo categórico”, diz. Da geração de Galera, que está sendo reconhecida, a professora cita escritores como Michel Laub, Fabrício Corsaletti, Angélica Freitas e Verônica Stigger. Para Noemi, é difícil dizer se esta geração já deixou sua marca: “Isso só o tempo irá falar”.
Já para o escritor e crítico Nelson Oliveira, que passou a assinar Luiz Braz, vários escritores brasileiros chamaram a atenção em 2012. Entre eles, destaca Angélica Freitas, com a coletânea de poemas 'Um útero é do tamanho de um punho'; Luisa Greisler, com o romance 'Quiçá'; e Daniel Galera, com 'Barba ensopada de sangue', na sua opinião um romance valioso e maduro. “Mas seria injusto com os outros afirmar que esse livro foi o principal lançamento do ano passado. Acredito que o próprio Daniel concordaria comigo, que seu romance pertence a uma interessante safra de títulos nacionais, todos muito bons”, afirma.
O pernambucano Marcelino Freire, companheiro de geração de Galera, acha que 'Barba ensopada de sangue' é um marco na carreira do autor. “Ele está maduro, cada vez melhor. Leva a sério seu ofício. Lembro-me dele carregando caixas de livros nas costas, na Feira do Livro de Porto Alegre. Tenho orgulho de ter sido e estar sendo testemunha de tudo isso”, diz Marcelino.
Quem também está atento ao que se publica no país é o escritor e crítico mineiro Ronaldo Cagiano. Nascido em Cataguases, na Zona da Mata mineira, e atualmente vivendo em São Paulo, ele diz que a geração de escritores que surgiu dos anos de 1990 para cá – e à qual pertence Daniel Galera – se diferencia da dos anos de 1960/70, que produziu uma literatura caudatária do espírito de resistência, vanguardista e renovadora. Já os autores que vieram depois, segundo ele, pertencem a outra vertente, influenciados por momento distinto e pelos ícones da modernidade, beneficiados pelo ambiente da tecnologia e pelos fetiches da comunicação e cultura de massas. “São escritores menos ousados, alienados de um projeto mais crítico engajado, mas tendentes a uma literatura que agrade ao mercado”, diz Cagiano.
Quanto a 'Barba ensopada de sangue', o crítico reafirma a opinião de que o romance é um marco na carreira de Daniel Galera, não só por ter alcançado maturidade e segurança em sua arquitetura formal, mas pelo mergulho radical numa história tensa e densa. “É uma narrativa habilidosa e instigante, que vem consolidar o seu nome. Desde sua estreia em 2001,  Daniel Galera, com seu estilo peculiar, vem só crescendo”, afirma Cagiano.
Quanto a livros como a trilogia 'Cinquenta tons', ele acha que isso pode ser explicado pelo fato de o sistema editorial oscilar entre o mercado e a arte. Para Cagiano, “é preciso ganhar dinheiro com o lixo e fazer caixa para poder publicar o luxo”. Com o que concorda Marcelino Freire, para quem os livros eróticos atuais são uma brochada literária. “Já o Galera, creio, é jovem, vigoroso e muito mais potente”, provoca.

 (Renato Parada/Divulgação)

Barba ensopada de sangue
• De Daniel Galera
• Editora Companhia das Letras
• 424 páginas, R$ 39,50
ANÁLISE DA NOTÍCIA
Carlos Marcelo
Desde 'O filho eterno' (2007), de Cristovão Tezza, a literatura brasileira contemporânea não conseguia ultrapassar os limites da autorreferência e atingir um público mais amplo. Em tempos de atenções dispersas pela oferta incessante de múltiplas opções culturais, a façanha de Daniel Galera com 'Barba ensopada de sangue' torna-se ainda mais digna de nota. Claro que o forte investimento da editora, Companhia das Letras, foi decisivo para a visibilidade inicial, mas a profusão de comentários nas redes sociais nas últimas semanas mostra que o livro agora anda com as próprias pernas. Caiu no gosto de uma faixa de leitores interessados em uma aventura nada tradicional, que começa íntima e vai ganhando contornos de tensão até o desfecho arrebatador, marcado pelos embates com a natureza e com o próprio passado do protagonista. Com destreza narrativa e máximas ("Tudo que precisa ser conquistado dá problema depois") que começam a ser citadas aqui e ali, Barba… sacode panorama de longa e incômoda calmaria. Que o Brasil não demore outros cinco anos para gerar outra onda tão forte.

http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/arte-e-livros/2013/01/17/noticia_arte_e_livros,139651/romance-de-daniel-galera-conquista-critica-e-leitores-com-literatura-q.shtml

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Como ler e analisar um clássico da literatura

 

Você consegue analisar um texto literário? Confira 10 dicas para fazer isso bem e aproveitar melhor a sua leitura.

 

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Crédito: Shutterstock.com

Comparar o texto literário que está lendo com outros do mesmo autor ajuda a determinar se houve alguma evolução

Ler uma obra literária é formidável. Os textos literários têm, em geral, o objetivo de emocionar o leitor, e para isso exploram a linguagem conotativa ou poética.

Como ler um texto literário: 1. Não se irrite com facilidade

A dica é ler com curiosidade e expectativas razoáveis. Não é importante entender cada palavra da obra. A literatura vai além dos vocabulários.

Como ler um texto literário: 2. Escolha a melhor edição

Busque a edição do livro que tenha uma boa introdução, ou seja, a mais fácil de entender. Boas introduções explicam o contexto histórico, os fatos mais importantes da obra, a vida do autor, a estrutura, o estilo e muito mais.

Como ler um texto literário: 3. Não interrompa a leitura para buscar palavras no dicionário

Apenas faça isso se a palavra em questão apareça muitas vezes na obra, ou se não conhecer o seu significado impede você de entender o texto.

Como ler um texto literário: 4. Faça anotações

Fazer anotações ajuda muito, especialmente quando a obra tem muitos personagens (exemplo: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez). Você pode simplesmente anotar as coisas que mais chamam a sua atenção. Outra dica é fazer um resumo ao final de cada capítulo. Alguns textos literários não têm uma narrativa linear. É o caso da poesia. Nem sempre há uma história com começo e fim.

Como ler um texto literário: 5. Identifique os temas

Geralmente, há temas e subtemas. É preciso identificá-los.

Como ler um texto literário: 6. Analise os personagens e o narrador

Quem é o protagonista da obra? Às vezes, o autor dedica muito tempo a descrever os personagens. Além disso, é preciso determinar também quem é o narrador. Provavelmente, o narrador é um dos personagens, mas também pode ser apenas uma voz onipresente.

Como ler um texto literário: 7. Preste atenção em como a história é narrada

Não fique atento a descobrir apenas quem é o narrador da história. Tente entender também como essa história é narrada. Note se a narração é linear, ou seja, se conta os fatos em ordem cronológica.

Como ler um texto literário: 8. Preste atenção ao estilo de linguagem

É uma linguagem coloquial ou formal? Existe alguma conexão entre o argumento e o estilo? Você deve notar, por exemplo, se há muita descrição ou uso de metáforas no texto.

Como ler um texto literário: 9. Considere o contexto histórico

É importante considerar a situação política, econômica e social em que a obra foi escrita, assim como os movimentos culturais vigentes da época.

Como ler um texto literário: 10

. Compare o texto com outros do mesmo autor

Comparar o texto literário que está lendo com outros do mesmo autor ajuda a determinar se houve alguma evolução. Ajuda a entender se o texto se encaixa em algum movimento literário.


Fonte: Universia Brasil

http://noticias.universia.com.br/atualidade/noticia/2013/01/16/994389/como-ler-e-analisar-um-classico-da-literatura.html

Juiz manda recolher trilogia '50 tons de cinza' em livrarias de Macaé, RJ

 

Decisão, no Norte Fluminense, diz que só livro lacrado pode ser vendido.
Segundo juiz, ele se baseou no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Oficial de justiça aguarda dono da loja Nobel Macaé assinar mandado de intimação (Foto: Carolina Burgos/G1)

Oficial de Justiça aguarda dono da loja Nobel Macaé assinar mandado de intimação (Foto: Carol Burgos/G1)

Um juiz de Macaé, no Norte Fluminense, determinou o recolhimento dos livros  “Cinquenta tons de cinza”, “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade”, da autora E. L. James, das livrarias. Segundo a ordem de serviço assinada por Raphael Baddini, da Segunda Vara de Família, da Infância, da Juventude e do Idoso, estas e outras publicações consideradas "impróprias" não podem ser expostas nos estabelecimentos sem lacre.

Apesar de a decisão, da última sexta-feira (11), valer para outros livros, o juiz cita por diversas vezes a  a trilogia. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça,  desde a determinação, 64 volumes foram recolhidos em duas livrarias da cidade – Nobel e Casa do Livro. Onze eram de títulos da trilogia e, os outros, de 19 obras diferentes.

Os livros foram levados para a 2ª Vara. De acordo com o magistrado, a iniciativa foi motivada após ele  ter verificado pessoalmente, em uma livraria da cidade, crianças perto das vitrines onde livros com conteúdo erótico estavam expostos.  “A ordem de serviço é uma forma de garantir que a lei seja cumprida", diz o juiz. "Uma criança ou adolescente pode pegar um dos livros em uma prateleira e ter acesso a um conteúdo inapropriado para sua idade. Eles precisam ser protegidos”, afirma.

A loja Nobel de Macaé, que fica no shopping da cidade, recebeu comissários de Justiça  na segunda-feira (14). Segundo o proprietário da loja, Carlos Eduardo Coelho, na ocasião não havia mais nenhum exemplar, pois todos já tinham sido comercializados. Apesar disso, foram recolhidas outras publicações. “Eles entraram procurando pela trilogia especificamente", diz Coelho. "Como não encontraram, acabaram olhando outros livros. Não questiono a lei, mas a forma de abordagem, já que não deram nenhuma orientação, ou fizeram alguma notificação anteriormente", diz ele, que afirma que as prateleiras do público infanto-juvenil são separadas.

Ao todo, no estabelecimento, foram recolhidos sete volumes do livro “Algemas de Seda – A História de Jake Mimi”, de Frank Baldwin; um volume de “Dominique, Eu”, de Dommenique Luxor e sete volumes do livro “50 Versões de Amor e Prazer – Col. Muito Prazer”, de Rinaldo de Fernandes.
“Não fica claro, por exemplo, qual o critério utilizado por eles para escolherem aqueles exemplares em específico, já que não há nada no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] sobre os que são inadequados, ou não”, diz.

Livros foram expostos já lacrados nesta quinta-feira (17) (Foto: Carolina Burgos/G1)

Livros lacrados nas livrarias (Foto: Carol Burgos/G1)

Oficial de Justiça esteve na livraria nesta quinta (17)
Na tarde desta quinta-feira (17), um oficial de Justiça esteve na loja Nobel com objetivo de  entregar um mandado de intimação sobre os 15 exemplares recolhidos. Segundo ele, que disse não poder falar com a imprensa, os livros podem ser solicitados pela livraria e devolvidos no prazo de cinco dias. Segundo o Tribunal de Justiça, para isso é preciso que os estabelecimentos cumpram o que está previsto no artigo 78 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele ainda informou que as obras que estavam no estoque dos estabelecimentos não foram recolhidas.
Na loja, os livros da trilogia estavam novamente nas prateleiras, mas lacrados e postos no mais alto local de exposição.
Decisão
O artigo 78 do ECA, usado como base pelo juiz, diz que “revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo”.
Na determinação,  o juiz Raphael Baddini indica verificar se a trilogia está sendo comercializada protegida com embalagem que impeça o seu manuseio e, ainda, com a advertência de seu conteúdo. Também determina a fiscalização da locação, entrega, fornecimento e empréstimo, ainda que gratuitos, dos livros da trilogia a crianças e adolescentes.

A decisão é estendida a outras publicações de conteúdo “de mesma natureza e espécie” da trilogia, que seriam obras  “de conteúdo erótico, com descrição de cenas de sexo explícito, bem como de outras práticas sexuais, salvo as de natureza estritamente didática compatíveis com o nível de escolaridade do menor”.
Opiniões
Entre os clientes, a decisão dividiu opiniões. “Eu geralmente compro um livro quando ele é indicado por alguém. Não venho à livraria e fico folheando e acho muito difícil algum adolescente pegar um livro e abrir justamente na página, ou conteúdo que não é próprio”, opina a estudante de administração Marcela Oliveira.

Casal Gisele e Tiago divergem em opinião  (Foto: Carolina Burgos/G1)

O casal Gisele e Tiago (Foto: Carol Burgos/G1)

“Acho que com tanto conteúdo disponível hoje em dia, se a gente ficar falando em proibição aí é que vai instigar a curiosidade. Outros livros que são considerados para o público jovem induzem a pensamentos que não acho correto, por exemplo”, diz Gisele Martins. O namorado de Gisele, Tiago Nascimento, acredita que os livros devem ser postos em locais reservados. “Cheguei à conclusão que não devem estar lacrados, mas postos em local apropriado, específico”, argumentou.
Segundo o dono da Nobel Macaé, os livros apresentados na loja já são entregues pela editora da forma que são apresentados, além disso, a venda e acesso aos conteúdos são fiscalizados por funcionários. “Nunca iríamos vender um livro adulto para uma criança, ou adolescente e os funcionários fiscalizam a loja. As crianças, por exemplo, já vão direto para a parte delas e os adolescentes precisariam abrir, ler e nós temos controle”, afirmou.

http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2013/01/juiz-proibe-exposicao-da-trilogia-cinquenta-anos-de-cinza-sem-lacre.html

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Turquia elimina lista de livros proibidos, mas mantém censura

 

A Turquia começou o ano eliminando uma lista de livros proibidos, mas este avanço, sobretudo simbólico, não mudou a mentalidade das autoridades com relação à censura, segundo diversos escritos e editores do país.

"É difícil proibir ou queimar livros no mundo atual e o governo turco se sentiu obrigado a abolir uma lista de livros proibidos que hoje já não faz sentido", disse à Agência Efe em conversa por telefone o escritor Burhan Sönmez.

Sönmez se referia à notificação da Procuradoria do Estado, que em dezembro anunciou que iria eliminar uma "lista negra" de 453 livros e 645 publicações, cuja difusão tinha sido proibida em décadas passadas.

Ao não ser recorrida, a decisão entrou em vigor neste mês, mas de acordo com escritores e editores, o passo não significou nenhuma mudança, já que muitas destas obras eram vendidas há anos sem que o público soubesse que eram proibidas.

Entre os livros agora oficialmente "autorizados", estão marcos como as obras completas do poeta nacional Nazim Hikmet e a sátira "Azizname" do muito popular escritor Aziz Nesin, assim como textos clássicos na história do pensamento político, como o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels.

Mas Meltem Gürle, professor de Literatura na Universidade Bogazici de Istambul, acredita que "embora a lista de livros proibidos desapareça, a mentalidade de censura continua existindo. É contra essa mentalidade que é preciso lutar".

É que as autoridades turcas continuam censurando livros que não são de seu agrado, explica à Efe Bilge Sanci, diretora-executiva da editora Sel, levada aos tribunais pela série "Livros Sexuais", na qual figuram autores como Guillhaume Apollinaire e textos clássicos como o Kama Sutra, o grande livro indiano do erotismo.

A obra de Apollinaire, As Façanhas de um Jovem Don Juan, foi considerada "não literária" pela comissão governamental para a proteção da infância contra publicações nocivas.

No entanto, um tribunal decidiu que o livro devia ser classificado como obra artística e portanto, não cai na categoria de "livros obscenos", cuja divulgação possa ser proibida.

"Mas a Corte Suprema anulou esta decisão e o livro em breve pode voltar às lojas. Embora há tempos não perdemos um processo, sempre há dúvidas", disse Bilge. Também o romance A Máquina Branda, de William Burroghs, deu voltas pelos tribunais durante um ano e meio. 

Coños, do espanhol Juan Manuel de Prada, por outro lado foi considerado "obra literária" pela Comissão Governamental, da mesma forma que outras duas obras de Burroughs, provavelmente porque os casos anteriores tinham causado uma enorme polêmica, disse Bilge.

"Esta tragicomédia continuará enquanto não houverem reformas profundas que mudem a mentalidade do Estado, que trata os cidadãos como crianças que devem ser protegidas e educadas segundo códigos morais nacionais", adverte.

Um exemplo recente aconteceu neste mês, quando o Ministério de Educação turco tentou eliminar dos colégios dois clássicos da literatura: Ratos e Homens, de John Steinbeck, e Meu Pé de Laranja Lima, um clássico juvenil do brasileiro José Mauro de Vasconcelos.

As razões dessas proibições são, no primeiro caso, uma conversa que acontece em um bordel, e no segundo, porque a criança protagonista recita uma canção sobre uma mulher nua. Curiosamente, ambas as obras estão na lista dos cem textos fundamentais do próprio Ministério da Educação.

A editora Bilge ressalta que os casos de "obscenidade", como o de Steinbeck, são os mais absurdos e os que provocam maior polêmica internacional, mas que não são um fenômeno novo e nem se renderam à censura política, especialmente no âmbito dos direitos da população curda.

"Com um livro de Marx não acontece nada, mas quando se trata da questão curda ou do debate do genocídio (armênio), a censura segue funcionando", conclui a editora.

 

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/turquia-elimina-lista-de-livros-proibidos-mas-continua-censurando-literatura,d62f324b21b2c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

sábado, 12 de janeiro de 2013

Academia de ciências nos EUA cria selo para livros 'verossímeis'

 

Com avanços tecnológicos, credibilidade de trama se tornou um desafio para autores de romances policiais.

Nova York - Muitas tramas de romances policiais caem por terra quando os leitores desconfiam da verossimilhança dos acontecimentos. E enquanto escritores tentam garantir que suas histórias sejam críveis e plausíveis, uma organização científica dos Estados Unidos passou a oferecer um selo de aprovação para livros que acertaram na exposição dos fatos.

Não é uma tarefa fácil, a dos escritores. A ficção policial hoje requer um profundo conhecimento de áreas técnicas e científicas, essencial para o roteiro - e que muitas vezes leva a situações difíceis de serem descritas em palavras e de forma precisa.

Agora, a Academia de Ciências de Washington (WAS na sigla em inglês), criada em 1898 por Alexander Graham Bell - o inventor do telefone -, deu início a um projeto que dá selos de aprovação para livros que tenham fatos científico corretos.

"Muito lixo é publicado atualmente na área de ciência", diz Peg Kay, escritora e membro da WAS. Segundo ela, esse declínio deve-se à pressão comercial e à falta de bons editores por esse declínio.

"Tudo que os agentes querem é atingir as massas. Ninguém sabe mais no que acreditar porque não há mais filtro."

O presidente da WAS, Jim Cole, afirma que muitas pessoas acompanham séries de ciência da TV, como CSI, que podem dar a impressão de que a tecnologia pode resolver qualquer crime.

"A ciência da maneira como é percebida pelo público não é necessariamente a ciência correta", diz Cole.

"Com autores publicando na internet sem editoras, acho que essa questão vai ganhar ainda mais importância no futuro, sobre o que é real e o que não é."

http://www.d24am.com/plus/literatura/academia-de-ciencias-nos-eua-cria-selo-para-livros-verossimeis/77963