Alberto de Oliveira (*1857 + 19/01/1937)







Velhice! — "Amigo, diz-me um amigo,
                 Diz, e é verdade:
Sabe que a boa idade é a última idade,
E és bem feliz de envelhecer comigo.
Poucos vingam o cimo em que ora estamos;
Árvores altas, não nos toca os ramos
O sopro mau que aí em baixo as mais agita
                 Bendita e rebendita
A idade austera e nobre a que chegamos".
                 Diz, e é verdade...
                 Mas que saudade
Das horas loucas da mocidade!

Velhice! — "Amigo, diz inda o amigo,
                 Diz, e é verdade:
Há nada igual a esta serenidade?
Fora de nós o amor tredo e inimigo;
Vemos que longe, indômita, rebenta
E rola em mar de nuvens a tormenta.
Tudo aqui em cima é paz, calma infinita...
                 Bendita e rebendita
Seja a velhice, de paixões isenta!
                Diz, e é verdade...
                Mas que saudade
Das nuvens de tempestade!

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