Caleidoscópio



Originada de três vocábulos gregos – kalos, eidos, skopien –, pode-se traduzir livremente a palavra caleidoscópio (ou calidoscópio) por “visão de belas imagens”.

Em 1817, um ano após a sua concepção, o físico escocês David Brewster patenteou a atual versão do caleidoscópio. Pela relevância da publicação do seu livro, Treatese on Optics , em 1831, onde descreve, inclusive, os dados científicos da invenção, ele foi elevado à categoria de Cavaleiro do Império Britânico.

Entre a segunda metade do século XIX e a primeira do seguinte, era muito comum encontrar caleidoscópio nas residências de pessoas que o importavam da Europa, para entretenimento de adultos e crianças. A partir daí, o seu conhecimento foi aprendido por nossa gente, que divulgou, no país, esse objeto lúdico, que logo se tornou apreciado por gerações.

A literatura está repleta de alusões a caleidoscópios: a poeta Cecília Meireles reporta-se à sua “área mágica ”... “ onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos...”; O escritor André Gide proclama: “Um outro brinquedo pelo qual eu era doido: esse instrumento de maravilhas que se chama caleidoscópio” e lamenta: “Creio que as crianças de hoje não o conhecem ”. E a propósito de um presente que lhe foi ofertado, por ocasião dos seus 75 anos de idade, o então titular da Arquidiocese de Olinda e Recife, D. Helder Cãmara (conhecido internacionalmente por seus engajamentos político e social), declara: “caleidoscópio que Você me deu, além da beleza que Você criou, improvisa cenas cuja beleza, da Terra, nem podemos divisar... ele nos apresenta flagrantes dos Mundos de Mundos que rolam pelas alturas.”

Nasci no Recife, em 1948. Nos primeiros anos da década de 60, iniciei-me no mundo dos caleidoscópios com o jesuíta Padre Alberto Silva, professor de Física na Universidade Católica de Pernambuco. Desde então, paralelamente a outras atividades, mantive-se nesse ofício, tendo, nesse período, montado e vendido mais de duas mil peças.

Dentre meu longo curriculum, estão exposições em várias cidades do Brasil, duas mostras informais no exterior (Arequipa, Peru, em 1984, e Ein Hod, Israel, em 1988), cursos, oficinas, seminário e palestras.

Em 1984, recebi da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro o título de Mestre, quando realizei, naquela cidade, duas mostras patrocinadas pela FUNARTE (Instituto Nacional do Folclore e Hotel Nacional). A partir de 1999, dedico-me exclusivamente a esta arte.

Três caleidoscópios de grandes dimensões encontram-se no Instituto Nacional do Folclore, no Rio de Janeiro (1984); Museu do Homem do Nordeste, no Recife (1988); o terceiro, de 1999, faz parte do acervo do artesão, exposto em minha Oficina.

Na cidade de Paulista-PE, mais exatamente na praia de Pau Amarelo, onde resido, mantenho em atividade minha Oficina de Caleidoscópio, onde, além de construir, vender e restaurar os danificados levados por clientes, acolho com prazer pessoas interessadas em desvendar os segredos do ofício, ou, juntamente comigo, apenas se deliciar com a variedade desses engenhos de arte, movimento, cor e encantamento.

Giovanni Bosco

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Caleidoscópio
Efigênia Coutinho


Acessa fantasia, vou sentindo
nos sonhos atados em emoção.
E das imagens, ficando absorta;
a embargar a voz... E vem saltitando
o coração em mágica visão...


Caleidoscópio, em cores lapidando
as ilusões que vão piscando,
noutro elemento vizinho
aos sonhos, que de luz vão cintilando,
buscando no etéreo o caminho!


Canta a poetisa, o teor da trama.
Recordações celestes urdidas,
deixa na orla do destino que clama,
tuas digitais, em meu corpo fundidas
entrelinhas dos versos que proclama!


Balneário Camboriú
Fevereiro 2009

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