Soneto para Janeiro

Janeiro é mez de contas. Ja não sobra
nem cheiro dos assados natalinos...
Agora é só boleto que me cobra
o carro, a casa, a eschola dos meninos...

Durissimo, sem margem de manobra,
descasco abacaxis, corto pepinos...
Ninguem, mais do que eu dribblo, se desdobra
em meio a proprietarios e inquilinos...

Tentei guardar o decimo terceiro,
mas quem fallou que fica algum dinheiro
no saldo, si a vidinha anda tão braba?

Das ferias volto até mais estressado...
Só tem, de positivo, o mez um lado:
faltando apenas onze, um anno acaba...

Glauco Mattoso

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