Um país a ser descoberto – Marcelino Rodriguez

Tempos atrás eu tinha uma amigo pernanbucano bastante viajado.  Engenheiro, vivera na França, inclusive. Ele costumava parar e ficar filosofando ao ver os populares que fazem performace e pregam o apocalipse  na praça do Largo da Carioca.
— "Olha ai, meu rapaz. Aqui tem de tudo:  profetas, saltibancos. O país está em plena Idade Média, a espera de ser  descoberto. Não tem ferrovias, não tem transporte marítimo. Não tem nada.  Tudo ai estar por ser feito."
E vejo que ele, do alto de sua experiência de  viajante, tinha toda razão. Se não se criar cérebros pensantes e criativos  para o futuro, não se terá nunca uma infra-estrutura desenvolvida. Será  sempre os banheiros fechados aos cidadãos, a porta na cara, o salve-se quem  puder, pois não haverá quem construa pontes humanas. Será sempre o custo de  vida mais alto possível, o máximo lucro junto com o máximo desconforto e  insegurança. Será sempre essa coisa melancólica e ingênua, desperdiçando  tempo, espaço, capital, talentos e vida. Sim, por falta de mentes com  ideias e de uma coletividade mais esclarecida, da arquitetura do  transporte ao esporte e da total desorganização social vemos o que dá  a "estética" da ignorância consentida.
Estava certo meu amigo. O País foi  visto, demarcado, mas não necessariamente descoberto. Um país é feito de  gente e inteligência. A gente já está ai. Falta investir em inteligência.

                                                                                                                                     Marcelino Rodriguez

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