Adeus a Chico Anysio, o humor versátil que veio de Maranguape

 

Chico Anysio por, CPDoc JB

Chico Anysio, 80 anos, estava internado desde o dia 22 de dezembro, após uma infecção no aparelho digestivo. Posteriormente diagnosticado também com pneumonia, em 14 de janeiro foi submetido a uma laparotomia exploradora, e durante o procedimento, retirou-se um segmento do intestino delgado para exames. Desde então, permaneceu em tratamento até falecer nesta sexta-feira, 23 de março de 2012, em decorrência de falência múltipla de órgãos, chegando ao fim a luta do humorista pela vida.
Casado seis vezes, Chico deixa viúva a empresária Malga de Paula, oito filhos, uma filha e nove netos.

Chico Anysio no dia da Primeira Comunhão. Reprodução

O cearense de Maranguape Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho nasceu no dia 12 de abril de 1931. Na família, todo mundo o chamava de Oliveirinha. Por causa do pai. Coube ao seu talento consagrá-lo simplesmente como Chico Anysio.
Caçula por sete anos (até a chegada de Zelito), dizia nunca ter tido nenhum privilégio especial por isso. Era levado, e conforme as regras da época, apanhou muito. Mas nada que o desanimasse. Ainda na infância, quando mudou com a família para o Rio de Janeiro, Chico já ensaiava os primeiros passos da promissora carreira que trilharia ao longo da vida. Naqueles tempos em que a meninada soltava balão, pipa e jogava botão, ele ia além... Imitava pessoas do convívio cotidiano com boa dose de humor. Escrevia pequenas peças, distribuía os papéis dos personagens entre os irmãos e reunia parentes e vizinhos para dar o espetáculo.
Na adolescência, conseguiu a primeira oportunidade artística: aos 16 anos, foi empregado numa rádio, como humorista e comentarista esportivo. Mas foi na televisão, a partir de 1968, que se popularizou a frente de programas de humor em que escreveu e interpretou seus próprios personagens - ao todo mais de 200 tipos cômicos.
Para cada um deles, criados ao longo dos anos, inspirados, principalmente, na realidade sócio-econômica brasileira da época e sob um olhar irreverente e contestador, Chico deu vida própria, destacando particularidades através da maquiagem, do figurino, da voz, dos trejeitos da interpretação, e de bordões que sempre caíram no gosto popular: João Batista? Salomé!, É mentira, Terta?, Aff, tô morta!, Bento Carneiro, o vampiro brasileiro,Calada!, Jovem é outro papo, Tenho horror a pobre! "Quero que pobre se exploda!", "Falou… Aííí, ó…! Bateu pra tu?", Roberval… Tayyylorrr…, Sou! Mas… quem não é?, Podem correr a sacolinha…, E o salário, ó...


Professor Raimundo.


Era uma vez uma Escolinha do Professor Raimundo
Primeiro da série de personagens criados por Chico, ainda nos tempos da rádio, o Professor Raimundo foi o personagem mais querido, e sem dúvida, o que mais reverberou a generosidade aflorada, que sempre o norteou. Quantos colegas de trabalho não foram revelados novos talentos, e principalmente, quantos Chico não ajudou a não cair no ostracismo, ao ganhar um papel para contracenar na Escolinha?
Embora, considerando-se um ator de televisão, Chico também se aventurou pela pintura, literatura, teatro e música. Quer na coleção de quadros que desenhou, nos inúmeros livros que publicou, nos espetáculos que dirigiu ou nas composições que musicou, é incontestável a certeza de que Chico recebeu uma missão e a cumpriu da melhor maneira possível.

 

23/03/2012 - 15:24 | Enviado por: Lucyanne Mano -

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