De um pouco, tudo.

 

FURTA-COR

A moça
anêmica,
pálida,
é uma cor
que anda
que sofre
que solta
de vez em quando
um sorriso
amarelo

— e que cora
de vergonha
por isso.

                             Edmilson Sanchez

Do livro: Poemas de amor e carne, Ed. Ética, Imperatriz/MA, 2010

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Coluna de Marli Berg

POLITICAMENTE CORRETO: UMA MENTIRA BEM CONTADA?

Pense bem antes de responder a nossa pergunta: você é politicamente correto em suas ações cotidianas? Separa o lixo reciclável, chama o negro de afro-descendente, e não ri de piadas preconceituosas? Por fazer tudo isto, se considera uma pessoa ética e boa? Cuidado, você pode estar muito enganado. Segundo o brilhante filósofo Luiz Felipe Condé, num livro genial e hilário, O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Leya), por fazer todas estas  coisas, você pode ser considerado um chato de tendências autoritárias, seguidor de um “ramo” do pensamento de esquerda americano, que surgiu com a ascensão social dos negros, nos anos 60, e dos gays, em 1980. A “velha esquerda” achava que quem salvaria o mundo seria o proletariado, enquanto a “nova esquerda” acha que a salvação da humanidade virá através dos grupos de “excluídos”, isto é,  mulheres, gays, negros, índios e todo tipo de minoria que apareça.
Doutor em Filosofia Moderna pela USP/ Universidade De Paris, e pós-doutor pela Universidade israelense de Tel Aviv, Luiz Felipe Pondé é professor da PUC-SP , colunista da Folha de São Paulo, e escritor, um homem brilhante, que com enorme ironia, raciocínio crítico, e conhecimento filosófico, disseca o “politicamente correto”, transformando este livro num excelente ensaio sobre a filosofia do cotidiano, onde pode colocar suas idéias originais e inteligentes.

Um ensaio de ironia filosófica, que dialoga com a filosofia e sua história, em contraste com uma “moda” que quer colocar grupos minoritários que tiveram (e ainda tem) sua cota de sofrimento, mas que, nem por isto, devem ser alçados a condição de deuses salvadores do mundo. Portanto, se você ri, gostosamente, da piada que brinca com alguma minoria, se chama seu melhor amigo carinhosamente, de negão (e não de afro-descendentão),  pode ficar tranqüilo, pois está em boa companhia, já que Pondé, um dos grandes filósofos de nosso país ,  consegue ver o mundo em toda sua totalidade, e jamais se deixará amarrar por conceitos  preconceituosos como o do politicamente correto. Um livro extraordinário.

1. Poesia / Tradução / Ensaio

Edgar Allan Poe - O Corvo E Suas Traduções (Leya), organizado por Ivo Barroso, com apresentação de Carlos Heitor Cony, reúne, além das clássicas traduções francesas do poema, feitas por Baudelaire e Mallarmé, as mais importantes traduções, em língua portuguesa, de um dos mais belos poemas da literatura ocidental: O Corvo, do escritor americano Edgar Allan Poe. Traduzir um texto literário, principalmente um poema de alta complexidade, como O Corvo, é tarefa das mais difíceis e trabalhosas, e o que se pergunta é: o que pode haver de tão inspirador num poema, para ter sido traduzido em tantas línguas, por alguns dos maiores tradutores, escritores e críticos do mundo, como Charles Baudelaire, Fernando Pessoa, Machado de Assis e Mallarmé  entre outros nomes estelares. Um poema belíssimo, notável pela musicalidade, métrica exata e composição das palavras, um dos mais belos, significativos e impactantes da literatura, pode ser a explicação que desejamos. Mas qual destas traduções em português, entre tantas, deve ser considerada a melhor?

Segundo o poeta, tradutor e crítico literário Ivo Barroso, a melhor delas é a de Milton Amado, verdadeiramente insuperável na Língua Portuguesa, e, neste seu ensaio sobre os desafios da tradução – uma arte difícil e sofrida – ao comparar o trabalho de diversos tradutores, mostrando as opções que tiveram, e a solução que escolheram, Barroso constrói uma obra belíssima, indispensável para os amantes do genial Poe, e para todos que procuram entender, de forma mais profunda, a arte de traduzir. Um livro que deve servir de referência e consulta.

2 - Folclore / Literatura de Cordel

Poeta popular baiano, pesquisador da cultura brasileira, cordelista e editor, Marco Haurélio é um dos nomes de maior destaque da literatura de cordel da atualidade. Autor de vários livros, ele é o organizador desta antologia, Antologia do Cordel Brasileiro (Global)  a primeira que apresenta autores de todas as gerações do cordel no Brasil, e dá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde os inspirados no conto de fadas, ou aqueles em que predominam os mitos da Grécia Antiga.

Ao reunir produções de autores que se destacaram ao longo do século XX, e também de poetas que mantém a popularidade, graças a qualidade de sua arte, Marco Haurélio nos oferece, neste livro, uma excelente radiografia deste gênero de literatura popular brasileira, um espelho do profundo senso de poesia de nosso povo, que atravessa gerações e já se tornou uma das  marcas registradas de nossa cultura. Uma publicação da maior importância, principalmente com os que se preocupam com a brasilidade

3 - Romance Italiano

Autor best-seller na Itália, o escritor, ator, diretor de TV e rádio italiano  Fabio Volo, estréia no Brasil com O Tempo Que Eu Queria (Bertrand Brasil), que já vendeu um milhão de cópias em seu país e conta uma história emocionante, de vida, amor infinito e muita luta e força para reconstruir laços familiares. O protagonista do romance, Lorenzo, não é bem sucedido no amor ou, talvez, não saiba amar, e se vê diante de duas situações afetivas difíceis: reconquistar o amor do pai e de uma mulher, que foi embora.

Na verdade, esta reconquista envolve o crescimento do personagem, que deverá fazer uma viagem a procura de si mesmo, e de seus sentimentos autênticos e profundos. Escrito com excelente técnica narrativa, que induz o leitor a vivenciar os mesmos sentimentos que o personagem, o romance é impregnado de profunda sensibilidade, conseguindo tocar em sentimentos comuns a  todos nós, o que nos leva a uma plena identificação com o personagem. Uma mostra da força da moderna literatura italiana, em excelente momento.

4 - Literatura Infanto-Juvenil

Bolinho de Chuva e Outras Miudezas(Peirópolis), do escritor e poeta Paulo Netho, reúne 41 belos poemas, inspirados nas lembranças de um menino de um tempo que já passou, mas atuais pela percepção que mostram ter do mundo, e ricos em sensações e emoções que emanam das coisas simples da vida. Primeiro livro do autor publicado pela editora Peirópolis, Bolinho de Chuva tem excelentes ilustrações de Carla Irusta, e mobiliza a imaginação da criança, fazendo-a voar para outros mundos, onde entrará em contato com conhecimentos importantes para seu futuro como ser humano. Um excelente lançamento, que mostra toda a força criativa deste excelente autor.

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