“LA GIOCONDA” NA INAUGURAÇÃO DO TEATRO AMAZONAS

 

“La Gioconda”, que inaugurou o Teatro Amazonas, é um dramalhão no estilo de Victor Hugo, seu libreto é inspirado num conto de Hugo, o “Angelo, tirano de Padoue”, mas o enredo é confuso e complexo. E longo. O cenário está em Veneza do Século XVII.

Logo na Introdução há um grande baile comemorativo à vitória de um nobre na corrida de barcos. Todos dançam e bebem, uma população inteira. Muitos atores. É o exemplo da Grande Ópera italiana. Com vários papéis principais, um para cada voz.

Há uma verdadeira população no palco e um corpo de baile. Ópera caríssima.

A inauguração do teatro não foi simples.

A inauguração do TA foi ameaçada pela boataria dos inimigos do Governador Fileto Pires Ferreira, que espalharam a mentira de que a estrutura do teatro era perigosa e que o prédio estava prestes a desabar.

Mas até hoje está de pé.

O povo se retraiu. Houve medo. O Governo teve de reduzir o preço dos ingressos para conseguir lotar o teatro.

Houve uma estranha “frieza” na população, que antes brigava na disputa de cadeiras do Éden Teatro, agora se recusava a ir ao novo teatro.

Mas, apesar de tudo, a inauguração do teatro foi um sucesso de público.

Não consegui ler nenhuma crítica teatral da época que me descrevesse a estreia.

Com os dados de que dispus, descrevi a inauguração, no meu romance Teatro Amazonas.

A ópera de Amilcare Ponchielli fica mais interessante do meio para o fim.

O balé introduzido no espetáculo – a dança das horas – ganhou muita popularidade até hoje.

Assiste-se ali a luta do dia contra a noite.

O único “problema” de “La Gioconda” é sua duração.

Ela é muito longa.

O que não era problema para a classe dominante europeia daquela época, que não trabalhava e ia ao teatro para exibir-se e encontrar os amigos nos longos intervalos.

Ninguém ia à ópera somente para assistir a um espetáculo, mas para cumprir um ritual da alta sociedade mundana, exibir seus novos vestidos, usar suas joias, bisbilhotar as cortesãs da moda, fofocar nos ouvidos das amigas e inimigas, e espalhar boatos maliciosos.

Em “Guerra e paz” de Tolstói fica isso muito bem descrito.

Comentários

ROGEL SAMUEL disse…
muito obrigado em nome do Teatro Amazonas, em nome daquilo se passou naquela época...

Postagens mais visitadas deste blog

Dia de Reis, desmonte da árvore, romã...

Outono!