Hebe Camargo, numa prosa de Adilson Luiz Gonçalves

 

HEBE CAMARGO (***)

Nos anos de 1960, além de muita música boa, brasileira e internacional - em tudo quanto era ritmo e idioma! - a programação da TV, apesar das poucas emissoras existentes, era excelente!

As principais de então: Excelsior, Tupi e Record, ofereciam programações variadas, quase todas ao vivo, que incluíam musicais e humorísticos, com destaque para: "O Fino da Bossa", "Astros do Disco", "Corte Rayol Show", "Moacyr Franco Show", "Times Square" e os inesquecíveis festivais, para citar alguns -, e, apesar do já recrudecimento da censura, alguns programas de entrevistas.

O domingo era especialmente aguardado, pois, em vez do "fim de feira" da atualidade, tinha atrações que até hoje estão na memória de quem viveu aqueles tempos televisivos.

Minha programação favorita, nesse dia, começava com o "Circo do Arrelia" e seguia com o filme de animação "Thunderbirds no Espaço". Depois, havia um hiato, por conta de um programa de auditório que nunca suportei... Aí, de volta ao paraíso, assistia "Jovem Guarda", comandado por Roberto, Erasmo e Wanderlea; seguida pelo "Perdidos no Espaço" e, para terminar - criança ia dormir cedo, naquela época -, um dos melhores programas de entrevista de todos os tempos: o de Hebe Camargo!

Ao vivo, o programa começava às vezes sem ela saber quem seriam os entrevistados! E isso com um teatro invariavelmente lotado e participativo.

Era difícil - para não dizer impossível! - alguém passar pelo crivo curioso de Hebe sem receber ao menos um "Gracinha!" e render-se incondicionalmente ao animado e informal "bate-bapo" que ela conduzia com maestria e naturalidade.

Acostumada desde sempre a "quebrar protocolos", Hebe Camargo sabia deixar seus entrevistados à vontade da mesma forma que não se importava em chocava alguns, com suas opiniões e convicções pessoais, emitidas sem aviso prévio.

Também cantora e atriz desde os primeiros momentos da TV brasileira, foi como apresentadora e entrevistadora que atingiu um apogeu, que durou até sua morte, sempre imitada, mas nunca igualada!

Ela era personalidade televisiva por excelência! Presente de forma quase ininterrupta no ar, desde 1950!

Também são seus alguns dos momentos mais hilários da "telinha", como os duetos que com Ronald Golias; as conversas publicáveis com suas amigas de sempre: Nair Belo e Lolita Rodrigues; ou impublicáveis, com Dercy Gonçalves.

Hebe, parecia eterna, pois sempre soube adaptar-se a contextos. De certa forma, era quase intocável: um verdadeiro ícone!

Décadas de exposição não lhe tiraram o brilho, o sorriso ou o gosto por novos projetos.

Assim, talvez um nome nunca tenha sido tão bem escolhido, premonitório, pois Hebe, para quem não sabe, era a deusa da juventude, na mitologia grega.

E Hebe foi assim, até seus últimos momentos...

Ela não precisa de cenários sofisticados ou de tecnologia de ponta: bastava sua presença!

Assim, Hebe Camargo continuará a ser um mito de alta indefinição, na história da TV brasileira! Personagem que viveu a história sem se perder no tempo! Pessoa que contou e fez história que, agora, morre, em muito, com ela...

Adeus, "Gracinha"! E olhe lá em quem você vai dar "selinho", agora!

Adilson Luiz Gonçalves

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(***) Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani, mais conhecida como Hebe Camargo ou simplesmente Hebe Taubaté , 8 de março de 1929 — São Paulo , 29 de setembro de 2012) foi apresentadora de televisão , atriz , humorista e cantora brasileira , tida como a "rainha da televisão brasileira".

 

 

Falecimento de Lyad de Almeida (2000)

Extra: 6 de outubro

Falecimento de Elizabeth Bishop (1979, Worcester/USA)

Literatura

Poesia

Temática flores: Machado de Assis

Prosa

Prosa registro: Hebe Camargo, Adilson Luiz Gonçalves

Teatro

Em cena, até 24/10, o IV Festival de Teatro Cidade de São Paulo no Teatro Bibi Ferreira

Site de Leila Míccolis

No site de Leila Míccolis, coluna quinzenal de Vânia Moreira Diniz

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