SEU MOÇO, TUTANO, MEU NEGRO

 

Aonde vai: Que saiba, estará alforria
   Onde está? Que caiba, a fantasia
Abolido de todos os espaços
   Que aí sapuca o desfile
Pra encher o coração
   Quando pouco for o bastante
Quando muito é pouco
   De sermos o mesmo que é
Que a bem dito, salva a dor
                  Com arte
          Minh'Alma pede palma
                 Encarte
           Café, cana, tudo pelo ourinho
                 Descarte
A ideia que o comprou
   Pra que não posta seja a venda
Que o suor da raça transformou
   Se para trás ficou moendas em moinhos
Nexo, por meio, dos fins coloniais;
   Qual libertas, que será também
Agregados em tempos ainda tão bestiais
   Vem zumbido à memória
De história e alvoroço
   É seu moço, tutano, meu negro
O que fica, que se espalha
                 Valha
A bica derramada
                 Calha
A pedra com a mão
                 Talha.

          José Carlos dos Santos Ignácio
Do livro: Verde, amarelo, claros, Massao Ohno Editor, 1987, SP

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