Assuntos relacionados com o Dia de Reis

Por incrível que pareça, esse dia consegue abrir um leque para se falar sobre vários assuntos. Nossas crenças, mandigas e patuás são celebrados e lembrados nesse dia.
Boa leitura.

Reis Magos



"Entrando na casa, viram o menino (Jesus), com Maria sua mãe. Prostando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra." (Mt 2, 11).
"Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra" (Mt 2, 12).
Os Três Reis Magos, (Belchior, Baltasar e Gaspar), ou simplesmente Reis Magos ou Magos, na tradição cristã, são personagens que teriam visitado Jesus logo após o seu nascimento, trazendo-lhe presentes. Foram mencionados apenas no Evangelho segundo Mateus, onde se afirma que teriam vindo "do leste" para venerar o Cristo, "nascido Rei dos Judeus". Como três presentes foram registrados, diz-se tradicionalmente que tenham sido três, embora Mateus não tenha especificado seu número. São figuras constantes em relatos da atividade e nas comemorações do Natal. Os presentes foram o ouro (realeza), incenso (fé), mirra (limpeza).

Agora que sabemos um pouco sobre os Reis Magos, vamos aos outros textos. O dia de Reis e os carregadores de piano, texto publicado no site do Blocos pelo escritor F. A. Pereira da Costa. É um texto folclórico de muita beleza.

O dia de Reis era entre nós festivamente celebrado pelos pretos.
Os do bairro comercial do Recife, que se empregavam na condução de mercadorias, formavam-se em grupos a que chamavam companhias, dirigidas por um mestre ou capataz, que distribuía o serviço e pagava os salários aos sábados, como hoje se vê com as companhias de carregadores de açúcar e algodão, e de embarque e desembarque de mercadorias diversas.
Outrora, tinham estes ganhadores ou condutores de mercadorias, um governador, que tinha uma certa ascendência sobre eles, e gozava mesmo, para o bom desempenho do seu cargo, de umas tantas prerrogativas e regalias; e era nomeado pelo governador da capitania, como se vê da patente passada ao preto Cosme de Azevedo, em 14 de novembro de 1781, — para exercer o cargo de governador dos pretos ganhadores desta praça, pelo tempo do costume, e enquanto procedesse de sorte que nele merecesse ser conservado, gozando da jurisdição que lhe competia.

Depois dessa leitura interessantíssima, vamos às simpatias que fazemos nesse dia, com o uso da romã e outras coisas mais como o desmonte da árvore de Natal.

A Romã e a sua participação no dia de Reis:

A romã, cujo nome científico é Punica granatum, pertence à família das punicáceas. Nativa e domesticada no Irã (antiga Pérsia) por volta de 2000 A.C., esta fruta foi levada pelos fenícios para o Mediterrâneo de onde se difundiu para as Américas, chegando ao Brasil pelas mãos dos portugueses. Na época das guerras Púnicas, os romanos trouxeram a fruta dos territórios de Cartago e chamaram-na Malum punicum. Portanto, julgaram-na erroneamente como sendo originária do norte da África. As propriedades medicinais da romã são conhecidas desde a Antiguidade, sendo descritas no Papiro de Ebers. A literatura descreve a romã principalmente como um potente tenífugo, sendo suas propriedades anti-helmínticas assinaladas há séculos por Dioscorides e outros naturalistas da Antiguidade.
Símbolo do amor e da fertilidade por suas numerosas sementes, o culto à romã vem dos rituais pagãos da Antiguidade que continuaram a se propagar mesmo com o advento do cristianismo.
A romã é uma das sete frutas pelas quais a terra de Israel foi abençoada. Entre os judeus de origem ocidental existe o costume de colocar sementes da fruta embaixo do travesseiro na passagem do Ano Novo Judaico, comemorado em setembro. Faz-se isso para atrair sorte, saúde e dinheiro no próximo ano.

Na mitologia grega, Perséfone, filha de Demeter e deusa da terra e da colheita, foi levada para o inferno por Hades, deus das profundezas. Jurou não comer nada no cativeiro, mas não resistiu a uma romã.


Perséfone

Comeu seis sementes. Quando Hades afinal perdeu Perséfone para Demeter, teve a permissão de ficar com ela durante seis meses de cada ano, por causa das sementes. Esses seis meses se tornaram o inverno.

Na mitologia iraniana, o fruto desejado da árvore sagrada é a romã e não a maçã, como na religião cristã.
Segundo a crendice popular brasileira, a romã também traz sorte e prosperidade.
É por essa razão que as vendas dessa fruta aumentam muito a cada final de ano, principalmente no Nordeste. Muitos brasileiros também acreditam que terão um ano novo com sorte e dinheiro se colocarem sementes de romã nas suas carteiras de dinheiro ou em partes da casa.
Muitos, pelo mesmo motivo, comem as sementes da fruta no Natal e na passagem de ano.
De acordo com a Bíblia, no templo de Salomão, a circunferência do segundo capitel das colunas do pórtico era ornamentada com 200 romãs postas em 2 ordens.
O profeta Maomé afirmava “coma romã para se livrar da inveja e do ódio”.
Tanto as folhas como suas flores são encontradas nos sarcófagos dos antigos egípcios.
No Cântico dos Cânticos, poema dramático-idílico apócrifo, atribuído ao rei Salomão por uma velha tradição (mas ao que tudo indica composto no século IV A.C.), o amor humano é exaltado através de 2 personagens principais, o esposo e a esposa. Muitos, entretanto, vêm a figura de um simples pastor no lugar do esposo. Já as tradições judaica e cristã viram no cântico o símbolo do amor de Jeová por Israel e do povo eleito por seu deus.
Nesses cânticos, a beleza da face da amada é comparada ao fruto da romãzeira, cuja cor talvez represente o ideal de beleza daquela época.
É no bosque de romãs que a amada promete entregar-se ao seu amor.

E depois de ficarmos sabendo muito da história da romã, terminamos explicando o porque do desmonte da árvore de Natal, no Dia de Reis.



“É nesse dia que os três magos, representando pessoas sábias e de bem, encontram o menino Jesus e ele é então revelado a todas as nações. Termina assim o tempo de Natal, o tempo de expectativa pelo nascimento de Jesus, e começa o tempo comum para a Igreja”, afirma o padre Gustavo Haas, assessor de liturgia da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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