José Albano, Rogel Samuel e Rubens da Cunha.


Soneto

Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura

E sempre andei errante e peregrino.
Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E inda choro o rigor da sorte escura,

Se nas dores passadas imagino.
Porém, como me agora vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia,

E só com saudades me atormento;
Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.
   

José Albano - Do livro Os Mais Belos Sonetos Brasileiros, de Edgard Rezende; Livraria Editora Freitas Bastos, 1946, RJ - Enviado por Leninha

O ano do tigre de aço

Rogel Samuel
Entrou firme o ano do tigre de aço, segundo o calendário tibetano. Terremotos, enchentes, mortes.
Mas, o que significa o “tigre de aço”?
Para os grandes mestres tibetanos, a característica desse tigre é a tenacidade em conseguir tudo o que estiver na mente. A obstinação, incansável, em perseguir seus objetivos.
Pois os tigres são implacáveis, e caçam à noite, e se aproximam em silêncio de sua presa, nadam, escalam, uma espécie de peso pesado dos predadores. São capazes de caçar um urso!
Vivem em climas frios e florestas e savanas, como os belos tigres de bengala.
Há casos de tigres capazes de abater um elefante, um jacaré e até um rinoceronte.
Ele é um animal solitário. Só se une para acasalar.

A DITADURA DO PRATA

Rubens da Cunha
O Brasil sempre foi um País colorido. Nossos símbolos, nossos arquétipos são sustentados pelas cores vivas, quentes. O Carnaval explora nossa exuberância como ninguém. O folclore de todos os Estados são festas para os olhos. As comidas, as frutas, as pedras berram em amarelos, vermelhos, verdes e azuis. A bandeira nacional explode em cores vibrantes, representativas de nossa tropicalidade. A floresta amazônica, o oceano atlântico, as vastas distâncias de Norte a Sul, aquela falta de pecado no lado debaixo do Equador, tudo se reverbera em cores nada sóbrias. A pele brasileira também é muito colorida, matizada em tons e sobretons diversos. Penso que essa nossa exuberância natural seja uma das responsáveis pelos clichês e pela superficialidade com que alguns estrangeiros nos olham. Basta dar uma olhada no cinema, em como somos representados, não raro, há sempre uma arara compondo o cenário, como se essa ave fosse uma espécie de cachorro para os brasileiros, todos tem um exemplar em casa.

Comentários

ROGEL SAMUEL disse…
como um tigre (decadente! rsss) solitário leio esta postagem excelente e agradeço, fico muito feliz, beijos!

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