Eloah Margoni lança Babel no dia 18

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Eloah Margoni publicou pela Blocos seu livro digital "A Noite Grega" e, em 18 de novembro, lançará "Babel" (prosa), na Livraria Nobel do Shopping de Piracicaba (SP), av. Limeira, 722,
a partir das 20 horas.

LM -  Eloah, você é médica, jornalista, escritora, ecologista, como você encontra tempo para gerenciar sua vida profissional, literária e de ambientalista?

EM - Bem, jornalista propriamente não sou hi hi!  articulista sim. No mais, vou alternando. Houve anos durante os quais quase só fui médica. Agora a médica tem encolhido para que a poeta e a escritora existam. Mas a ecologista não me larga nunca, por outro lado.

LM -  Desde quando você conectou-se à rede e como você encontrou Blocos?

EM - Pesquisando sites de literatura. Eu mudara de emprego para ter mais tempo para escrever; achei o site Blocos e recebi o maior empurrão de Leila, que me animou a abraçar a arte!

LM  - A Noite Grega, primeiro livro digital individual publicado pela Blocos, foi iniciado quando você morava em Portugal. Qual a aproximação destes dois países nesta sua obra, como a Grécia encontrou-se com Portugal?
EM - Na verdade o livro foi iniciado e finalizado lá em Portugal, assim como um de contos: Histórias Inevitáveis, ainda não publicado. A solidão, a calma e  certo isolamento são alimento para alguns escritores... Mas acho que, hoje em dia, a Charneca da Caparica nem é mais calma!

LM - Você acha que viver por algum tempo no estrangeiro influenciou sua literatura? Em caso afirmativo, como?
EM - Sim, mas não sei dizer exatamente como; acho que tudo se amalgamou com a vida. Deixar a alma olhar, creio. Depois o cérebro e o coração misturam tudo e há um brotar de coisas.

LM - Como você sente o seu processo criativo? Difícil, fácil, angustiado, alegre? Escrever, para você, é leve (alivia) ou pesado (sufoca)?

EM - Escrever é maravilhoso! Parque de diversões, exorcismo, paixão pela gente mesma. De qualquer forma, o livro "Babel" foi um tanto difícil, pois nele é colocada uma dura realidade. Escrever foi revivê-la.

LM -  Você que escreve poesia e prosa, qual o sabor de cada uma delas para você?
EM - Poesia para mim é mais fácil. Tem sabor de orgasmo apaixonado e rápido. Prosa é mais romance, quase casamento. Assim mesmo, artigos são diferentes de contos, e esses diferentes de uma história mais longa. 
Estou escrevendo um livro de ficção científica agora, e curto muito o processo!

LM - "Camila e seu segredo" é o título de uma novela que você ainda está escrevendo e que você definiu, em uma entrevista, como sendo: “a história de uma menina que desaparece em sua própria casa, gerando surpresa e preocupação a todos". Trata-se de um enredo é de mistério ou de uma metáfora da indiferença nas relações familiares nos tempos de hoje, como na composição "Deus Vos Salve Esta Casa Santa", de Torquato e Caetano? 

EM - Na verdade, prefiro deixar "Camila " pra lá. Foi uma experiência bem simples para uma novelinha on line num jornal eletrônico. Francamente, não acho que tenha grande valor literário, não. Babel já o tem. Outro conteúdo! Queríamos testar uma novelinha, certa vez. Aí nasceu "Camila e seus Segredos"; mas acho que é uma história meio mística mesmo...

LM - Vida versus Ficção: em A Noite Grega você não faz concessões, sua poesia é densa, tensa, crítica, por vezes agressiva. Também em Babel, seu livro mais recente, traz um pouco de sua experiência médica, pelo que li. Então, como se dá esta relação vida (cotidiana) e obra (literária) com relação a você, elas estão interligadas?

EM - Considero-me calma e tolerante de modo geral nos relacionamentos. Como ativista em prol do ambiente e dos animais sou guerreira. Exigente, e bastante, enquanto profissional; relativamente organizada como dona de casa. Ah! e péssima cozinheira!

LM - No dia 18 de novembro será lançado seu terceiro livro impresso: Babel. Porém, antes, você o disponibilizou em capítulos, no jornal de Piracicaba A Província, através da Internet. Isto me lembra muito alguns grandes escritores, inclusive Joyce (já que falei em work in progress no seu prefácio), que começou a publicar seu Finnegans Wake, em capítulos.Penso que este é um exemplo raro de valorização da Web. Você não teve receio de que a publicação on line pudesse diminuir o interesse pelo livro impresso?

EM - De início não pensei nisso. O fato é que eu não terminara a obra; com o compromisso de escrever em capítulos eu teria de terminá-la; e foi o que aconteceu. Foi uma tática para a escritora produzir.
E também as pessoas ainda não curtem ler textos muito longos na net....O fato é que o livro em papel tem sido muito, mas muito bem recebido no boca  a boca. O mal da obra na net é que a revisão de português não está legal...

LM -  Gostaria que você terminasse nos falando um pouco de como e quando você começou a atuar em defesa do meio ambiente e de como é esta sua luta, na prática, em Piracicaba. 

EM - Comecei a lutar, com ativismo em Campos dos Goytacazes, RJ, onde cursei medicina. Lá conheci Aristides Arthur Soffiati Netto, um ecologista de renome que traduziu para mim mesma qual era e é minha mentalidade, minha verdadeira alma.  
Era diferente naquela época o movimento ambientalista; era cheio de juventude, ingênuo, romântico. Agora o universo ficou mais pervertido e perverso, além do que as mudanças climáticas fartamente anunciadas por nós, os loucos, desabam. Mas os 20% de Marina Silva sinalizam alguma coisa para os governantes, quero crer.


Comentários

Fabbio Cortez disse…
Desejo-lhe todo sucesso nesta nova obra, Eloah! Que o lançamento de "Babel" seja um evento luminoso.

Abraço forte!

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