AO AMADO AUSENTE

Se apartada do corpo a doce vida,
Domina em seu lugar a dura morte,
De que nasce tardar-me tanto a morte,
Se ausente d'alma estou, que me dá vida?
Não quero sem Sylvano já ter vida,
Pois tudo sem Sylvano é vida morte;
Já que se foi Sylvano venha a morte,
Perca-se por Sylvano a minha vida.
Ah, suspirando ausente, se esta morte
Não te obriga a querer vir dar-me vida,
Como não me vem dar-me a mesma morte?
Mas se n'alma consiste a própria vida,
Bem sei que se me tarda tanto a morte,
Que é porque sinta a morte de tal vida.

                                              Soror Violante do Céu

Do livro: "Grandes sonetos da nossa língua", seleção e organização de José Lino Grünewald, Ed. Nova Fronteira, 1987, RJ

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