Osias Canuto e outras palavras

 

 

Bombay Masala - NY

Solicito ao garçom que me traga um Chicken Vindaloo. Ele me olha desconfiado e com um sorriso malicioso no rosto. Sabe que é o tempero mais forte da casa. Deve pensar: - "Esse brasileiro não perde por esperar." Quando chega a comida ele permanece me olhando com o mesmo sorriso. Aos poucos vai se decepcionando com minha cara de satisfação. Não sou marinheiro de primeira viagem nem vim ao restaurante por um acaso.
Situado na 49 Street com a 7ª Avenida, o Bombay Masala é o restaurante indiano mais antigo dos Estados Unidos. Para ser mais preciso, funciona neste local desde 1917. Nada de luxo, movimento ou ostentação. É um ambiente calmo, bastante frequentado por indianos. Creio que isso já é motivo suficiente para confiar na originalidade dos pratos. Descobri por acaso e, desde então, sempre que vou a Nova York, vou ao Bombay Masala. Se eu ficar um mês na cidade, sou capaz de ir quinze, vinte vezes ao restaurante, ou seja, boa parte dos dias.
Se você estiver em New York e decidir ir ao Bombay Masala, não se assuste com algum papel colado no vidro. A vigilância sanitária americana tem o estranho hábito de notificar o restaurante. Tem sempre um aviso de que algo não está dentro das normas. Acredito que é mais um problema dos fiscais americanos que dos indianos. Se o restaurante é um original da Índia, possivelmente aquilo que eles consideram critérios de limpeza seja um pouco diferente do que os americanos esperam encontrar. O que posso dizer é que fui lá dezenas de vezes e jamais passei mal.
Mas creio que esse é um texto escrito para quem, como eu, gosta de comida indiana, de pimenta e de temperos fortes. Se você tem medo, não se arrisque. De minha parte, no quesito limpeza de restaurantes, procuro me pautar pelo ditado "Quem procura acha!". Por isso, não procuro nunca. E assim, eu e inúmeros indianos e ingleses, que sempre estão por lá, vamos nos satisfazendo em maravilhosos almoços e jantares no Bombay Masala.
A vida é realmente bela!

Osias Canuto

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4 de fevereiro: Falecimento Hilda Hilst (2004, Campinas/SP)

 Literatura

Poesia

 Temática Vida!: Miguel Russowsky

 Temática coisas: Olney Borges Pinto de Souza

Prosa

 Reflexão: Arnaldo Niskier, "Uma agressão à diversidade cultural"

 Crônica: Osias Canuto

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