LAVADEIRAS

 

A roupa nos varais panda flutuando,
com seus laivos de anil coando a brisa,
até parece ávida nau cortando
o mar azul que a leve espuma frisa.

O vento timoneiro vai guiando
e o sol nas bolhas de sabão se irisa
enquanto as lavadeiras vão cantando
a torcer e a bater na tábua lisa.

Cantilenas nostálgicas e antigas,
fados, solaus, que falam da cachopa
da Póvoa, dos amantes, das amigas.

E se perdendo no ar das tardes calmas,
enquanto as águas vão lavando a roupa
essas cantigas vão lavando as almas...

          Luiz Bacellar

Do livro: "Frauta de Barro", Valer, 6ª ed., 2005, Manaus/AM
Enviado por Rogel Samuel

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