Poesia premiada, contos, crônicas e Blocos

 

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Poesia Premiada em Concurso Literário na França: Adão Wons

A LUA
No céu da boca
A lua intensa
Pura insana
Na negra
Imensa noite
Tão lua
Tão nua
Amarrotada
Em lençóis de cetim
E em camas
De nuvens densas
Desnuda
Segredos abissais.
               Adão Wons

1º lugar no 13e Concours Literaire International du CEPAL- Centre Europeen  Pour La Promotion des Arts et des Lettres - Thionville, França - 2011 (Categoria Langues et Dialects - poesia brasileira).

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 Temática mensal verão: Regina Costa

INTERLÚDIO

mar azul, interminável…
ondas batem nas rochas
como rochas que trago em minhas mãos
lápis-lázuli, ametista,
como água que flui dos meus dedos
sei que estás e me acompanhas
não apressa...
pois encontro uma única imagem
escrevendo pra ti, quem sabe, um poema
sentada na areia molhada
do mar


Regina Costa

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Coluna quinzenal de Rubens da Cunha: Poeticidades e outras falas

A CONTINUIDADE DE TUDO

No Sul do Brasil, a chuva coroou mais um Ano-novo. As filas no trânsito se repetem. As famílias se encontram. Amigos comemoram de branco. Outros acham o branco so last season. Pessoas continuam perdendo as mãos com fogos de artifícios. Os cães e os gatos ficam assustados, isso sem falar dos pássaros, dos gambás, preás, ratos e lagartos que devem achar que os humanos enlouqueceram de vez. O álcool continua fazendo vítimas comprovando a loucura humana. As rolhas dos espumantes e frisantes continuam fazendo barulho, batendo no teto, espalhando um contentamento quase sublime. Castanhas, uvas, sementes de romãs, simpatias, sete ondas, oferendas, cantigas, abraços, o ritual de passagem e permanência. Mais um ano, novas previsões, novas escolhas, novos planos até que o “novo” perca a validade e se transforme em um “mas já é final de janeiro, como passa depressa!”.
A vida logo entra nos eixos. Esse ano talvez seja ainda mais rápido, pois o primeiro de janeiro caiu num domingo, alguns até conseguiram enforcar o dia 2, mas outros já abriram seus comércios, restaurantes, padarias. A vida segue, o mercado e a mercadoria devem estar sempre à frente e sempre abertos. As promessas pipocam: academia, reeducação alimentar, mudança de hábitos, perdão, terapia, casa nova, mulher nova, viagem.
A praia continua sendo o destino de milhares: areia, protetor solar com preços abusivos, alegrias azuis e molhadas, filho perdido, marido perdido em uma bunda, briga, encontro, passeios nas pedras, trilhas, parapentes, céu nublado, férias acabando, férias começando, argentinos, paraguaios, uruguaios, alguns chilenos, brasileiros do interior, Goiás, Rondônia, Mato Grosso. Trânsito lento, a última música descartável: “Ai se eu te pego”. Festas, praias desertas, rios, hotéis fazenda. Curtir a natureza. Poluir a natureza. Beber água, reclamar da falta d'água. Operação verão. Obras inacabadas, adiadas para um futuro próximo. O verão promete mais uma vez ser o melhor da década.
O resto do ano também será de continuidade: no Carnaval, carros alegóricos vão quebrar. Choverá volumes muito maiores que o suportável. As eleições municipais ocorrerão no ritmo das promessas: saúde, educação, transporte e segurança. Por um voto, você receberá tudo isso de forma imediata. O campeonato brasileiro de futebol tomará um bom tempo nas conversas. Quatro ou cinco novelas estrearão. Os vilões farão as maldades de sempre enquanto as mocinhas sofrem. Com um pouco de sorte um “Quem matou” vira assunto no twitter. Na internet, os idiotas, os animais, as falsas polêmicas terão seus minutos de glória.
Assim, a vida é continuidade. Cada um vai fazendo o que pode e deve, outros fazem o que não podem e não devem, até que chegue janeiro de 2013. Isso, claro se um certo calendário maia não interromper a nossa tão querida continuidade.
Feliz 2012


Rubens da Cunha


 

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Crônica: Eliziane Pacheco

Seres diferentes


A vida em diferentes locais produz seres humanos diferentes.
Quem vive em uma cidade do interior vai de havaianas ao mercado, para na faixa para o pedestre, senta à mesa com o vizinho, anda com a janela do carro aberta, até porque fica mais fácil saudar o amigo que passa.
Quem vive em uma metrópole usa os últimos lançamentos nos pés, mas volta e meia fica descalço porque o assaltante pega para usar; passa voando pela faixa de pedestres porque se parar o carro que vem atrás não vai entender e subirá no parado; não senta à mesa com seu vizinho porque na verdade nem sabe como ele é. Anda com a janela do carro trancada para não ficar sem o carro e não tem problema se passar um amigo porque na metrópole não se tem amigos, se tem conhecidos e estes nem sempre precisam ser cumprimentados.
Quem vive na cidade do interior sente o vento no rosto, o calor suave sol da manhã e as emoções do barulhinho de chuva no telhado. Quem vive na cidade grande sente o calor dos escapamentos de carro, o frio dos altos paredões e o barulho das grandes construções.
Mas assim é o ser humano, cada um procurando o seu estilo de “espaço ao sol”. Eu sinceramente quanto mais ando de salto na metrópole mais sinto falta das minhas havaianas aposentadas.


Eliziane Pacheco

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