José Carlos Capinam


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Fazer 75 anos é uma glória. Vou me juntar aos que tem histórias pra contar e olha que não são poucas. Costumava dormir, na infância e adolescência, interrogando, aos céus e às telhas, se chegaria aos cinquenta. Cheguei com a mesma inquietação sobre chegar aos setenta e como chegar. Cansado? Corpo queixoso? Amargurado ou feliz com os açúcares descontrolados pelo vinho e pelas frutas? E a alma? E a cabeça? A jornada é dura, inquietante, com encruzilhadas difíceis e encontros m aravilhosos, assim como desencontros surpreendentemente desastrosos. Peripécias traiçoeiras e perigos, grandes perigos, preparados por quem nos aperta a mão. 
Escapei de muitas perversidades e mentiras, mas o sonho parece não me abandonar, nem a consciência de existir me deixou. A metáfora dos punhais cabe para ilustrar as dezenas de golpes que me foram dados, sem compaixão. Mas estamos aqui, garantindo a retidão e a potência de criar independente de qualquer flecha. Adoro viver, sobrevém essa ideia durante uma massagem. E fico nessa nuvem a pairar sobre minhas caminhadas de caboclo do mato, dialogando com as lembranças, com certo treino que me foi dado pelo psicodelismo. Pergunto ainda, como chegarei aos oitenta? E aos noventa? Dos cem não passarei... viver mais cinco, mais dez, mais quinze? Quantos anos ainda restam? Não sei. Mas alcançar 75 anos é um feito admirável, uma façanha, nesse maravilhoso mundo novo, de amanhãs quase antecipados pelo que antevemos, antes da morte do sol e das viagens interplanetárias. Vamos, que o dia vem vindo e ele sempre chega com muitas surpresas.



 

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