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Mostrando postagens de Novembro, 2012

Pipoca na manteiga

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Quando passo pelo local onde se erguia a loja, fico cheia de passado. Daí, falo comigo: largue o passado no passado, dele, hoje, apenas os brechós se alimentam. Sorrio diante da bobagem do pensamento.
Eis que a lembrança de um perfume distante surpreende meu olfato. Olfato também tem memória. Cheiro de pipoca na manteiga...era o aroma da Sears, sua marca registrada.
Tudo o que se queria, por lá se encontrava, ou bem à vista ou meio às escondidas. Minhas visitas eram como as de um garimpeiro, busca que busca, mexe e remexe... assim eu sempre saía com uma sacolinha, mesmo que apenas comprasse um batom ou um par de meias coloridas.
O setor mais gostado, na verdade a minha paixão, era o dos casacos. Na época, São Paulo inda se fazia muito fria e as cores, os modelos, os tecidos eram lindos, aqueciam o corpo, a alma. Poucos deles eu trouxe para casa, outros tantos trago no que me resta de memória.
Talvez as raras oportunidades de adquirir um bem de maior valor, contribuíssem para o aumento do …

SEU MOÇO, TUTANO, MEU NEGRO

Aonde vai: Que saiba, estará alforria
   Onde está? Que caiba, a fantasia
Abolido de todos os espaços
   Que aí sapuca o desfile
Pra encher o coração
   Quando pouco for o bastante
Quando muito é pouco
   De sermos o mesmo que é
Que a bem dito, salva a dor
                  Com arte
          Minh'Alma pede palma
                 Encarte
           Café, cana, tudo pelo ourinho
                 Descarte
A ideia que o comprou
   Pra que não posta seja a venda
Que o suor da raça transformou
   Se para trás ficou moendas em moinhos
Nexo, por meio, dos fins coloniais;
   Qual libertas, que será também
Agregados em tempos ainda tão bestiais
   Vem zumbido à memória
De história e alvoroço
   É seu moço, tutano, meu negro
O que fica, que se espalha
                 Valha
A bica derramada
                 Calha
A pedra com a mão
                 Talha.          José Carlos dos Santos Ignácio
Do livro: Verde, amarelo, claros, Massao Ohno Editor, 1987, SP

Eventos e etc

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Rubens da Cunha e Rogel Samuel: boas leituras em Blocos!

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NATURAL NÃO NATURALSartre dizia que “escrever não é viver, nem tampouco se afastar da vida para contemplar, num mundo em repouso, as essências platônicas e o arquétipo da beleza, nem deixar-se lacerar, como se se tratasse de espadas, por palavras desconhecidas, incompreendidas, vindas de trás de nós: é exercer um ofício. Um ofício que exige um aprendizado, um trabalho continuado, consciência profissional e senso de responsabilidade”. Esse pensamento de Sartre retira do ato de escrever, sobretudo literatura, qualquer glamourização romântica da inspiração, qualquer superioridade que alguns pensam haver no ato de escrever. Claro, é preciso contextualizar o texto de Sartre, escrito logo após a Segunda Guerra, não fazia sentido para o filósofo um mundo em que o escritor fosse um sofredor romântico, ou um autoexilado existencial, ou um sujeito captador das belezas etéreas advindas da inspiração. O escritor tinha que ser ativo, participante, ou, nas palavras de Sartre, engajado. Sua escrita …

Presos que lerem Dostoiévski terão pena reduzida em comarca de SC

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Projeto da Vara Criminal de Joaçaba prevê redução de quatro dias da pena. Proposta consiste na distribuição e leitura dos livros pelos apenados.Detentos voluntários receberam um exemplar do livro,
acompanhado de um dicionário
(Foto: TJSC/Divulgação)
Um projeto da Vara Criminal de Joaçaba, no Oeste de Santa Catarina, prevê a redução de até quatro dias na pena de detentos que lerem obras clássicas, de autores como Fiódor Dostoiévski. A proposta, chamada 'Reeducação do Imaginário', é coordenada pelo juiz Márcio Umberto Bragaglia e iniciou na manhã desta sexta-feira (23).  De acordo com o Tribunal de Justiça (TJ) do estado, a proposta consiste na distribuição dos livros aos apenados da comarca. Posteriormente, magistrado e assessores vão realizar entrevistas. "Os participantes que demonstrarem compreensão do conteúdo, respeitada a capacidade intelectual de cada apenado, poderão ser beneficiados com a remição de quatro dias de suas respectivas penas", explica o TJ. Apenados …

Domingo, Kosby, Rogel, Gonçalves e Blocos!

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Cruz e Souza

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Teruko, Barreto, Pastore e teatro

Poesia, prosa e teatro

Dia mundial da televisão

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Dia da Consciência Negra

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Dia da Bandeira e dia do Homem

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No silêncio da noite

“antes que o dia arrebente
(Soy loco por ti América)Todo dia ela regava as flores mortas: margaridas, monsenhores, brancas, amarelas, quase podres.
Com cuidado e emoção. Depois vestia a camisola de renda esperando a chegada que não acontecia, o telefonema esquecido, o celular mudo na varanda, sob o céu estrelado de verão.
Inverno passou, primavera, lilases,
Flores do campo enfeitando a volta.
Toda noite dormia com a janela aberta, enfeitada de céu, cortinas voando inúteis.
Acordava com os galos, tomava o café ansiosa, olhando a estradaSoy loco por ti América, o fogo de conhecê-la, de conhecê-lo... antes que o dia arrebenteLavava a louça devagar, a espera é vagarosa como óleo. Passava o pano na pia, lustrava móveis, espanava, varria. Janela emoldurava a estrada longa, o céu azul. Regava as flores num ritual pesado. Horas passavam atropelando minutos, segundos, cheiros, perfumes.
Apanhava o baralho e lia a sorte: ele vai voltar.Com a esperança renovada, tomava banho, lavava o cabelo, pintava …

TELEVISÃO

Silêncio!
É hora de velar a tela.
De ver a imagem,
miragem. Silêncio!
É hora de velar
o ataúde
com os seus mortos falantes.
Silêncio!
É hora de assistir
ao jornal.
Feche o livro,
encerre o riso,
fale apenas no comercial. Silêncio!
É hora do beijo final.
A pipoca está sem sal...
Mude de canal.                          Ivan SanttanaDo livro: À margem de mim, João Scortecci Editora, 1996, SP

LAVADEIRAS

A roupa nos varais panda flutuando,
com seus laivos de anil coando a brisa,
até parece ávida nau cortando
o mar azul que a leve espuma frisa. O vento timoneiro vai guiando
e o sol nas bolhas de sabão se irisa
enquanto as lavadeiras vão cantando
a torcer e a bater na tábua lisa. Cantilenas nostálgicas e antigas,
fados, solaus, que falam da cachopa
da Póvoa, dos amantes, das amigas. E se perdendo no ar das tardes calmas,
enquanto as águas vão lavando a roupa
essas cantigas vão lavando as almas...           Luiz BacellarDo livro: "Frauta de Barro", Valer, 6ª ed., 2005, Manaus/AM
Enviado por Rogel Samuel

Salve a República!

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15 de novembro - Proclamação da RepúblicaHino: Medeiros e Albuquerque

O senhor é arqueólogo?

Ontem à tarde fui fazer uma entrevista com uma senhora que eu conhecia apenas por telefone, mas que tinha se revelado uma informante promissora para minhas pesquisas de folclore. Fazia um sol de rachar e eu não via nenhuma sombrinha para deixar o meu fiel companheiro de viagem, um celtinha 2006. Eu já tinha dado duas voltas no quarteirão quando avistei a placa de um lava-rápido mambembe, que normalmente eu nem pensaria utilizar. Sem muita opção, resolvi arriscar e deixei o carro nas mãos do rapaz que me prometeu o carro limpo e aspirado em duas horas.
Minha informante, que aqui chamarei de Rosa, é uma sexagenária muito simpática e que trabalha em uma instituição de inclusão social que forma menores das classes menos privilegiadas. Ela me recebeu em sua sala de trabalho e lá conversamos durante mais de duas horas.
Rosa teve uma infância rural, na qual vivenciou praticamente todos os costumes, tradições e festas folclóricas que são objeto de minhas pesquisas hoje. Com visível emoção, ela …

Descrição de minha viagem de Lisboa para fora de Portugal

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Saímos de Lisboa com mais um navio pequeno, que também pertencia ao nosso capitão, e aportamos primeiro a uma ilha, denominada Ilha de Madeira, que pertence a El-rei de Portugal, e onde moram portugueses. É grande produtora de vinho e de açúcar. Ali mesmo, numa cidade chamada Funchal, embarcamos mantimentos. Depois disso, deixamos a ilha em demanda da Barbaria, para uma cidade chamada Cape de Gel, que pertence a um rei mouro, branco, a quem chamam Sherife. Esta cidade pertencia, outrora, a El-rei de Portugal; mas foi retomada pelo Sherife. Nela pensávamos encontrar os mencionados navios que negociam com os infiéis. Chegamos e achamos, perto de terra, muitos pescadores castelhanos, que nos informaram de que alguns navios estavam para chegar, e ao afastarmo-nos, saiu do porto um navio bem carregado. Perseguimo-lo, alcançando-o; porém a tripulação escapou nos botes. Divisamos então em terra um bote vazio que bem podia nos servir para abordar o navio aprisionado, e fomos buscá-lo. Os mour…

Nascimento de Barthes

Há 68 anos nascia Torquato Neto (poeta e jornalista brasileiro)

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Cogitoeu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim. - no livro "Os Últimos Dias de Paupéria", Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973.
Biografia
Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (PI), no dia 09 de novembro de 1944. Foi contemporâneo de Gilberto Gil no colégio em que estudou, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Em 1966 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo. Mesmo sem ter concluído o curso, iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna "Geléia Geral" no jornal carioca "Última Hora". Um dos criadores do movimento tropicalista, é o…

Leninha, Rimbaud, Elisa, Ventura e Rogel

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Meireles, Torquato, Maranhão, Nader, Ventura, Cunha e Leninha!

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Hoje: documentário sobre Glauco Mattoso no Festival Internacional de Curtas no Rio

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Dia mundial da preguiça

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Resultado do Prêmio Buriti 2012

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