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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

ELE, ELA

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ELEEntrou no bar como quem adentraria em um saloon, daqueles clássicos, imagem gravada na retina através dos enlatados americanos de bang-bang. Não, não se trata de um cowboy... Talvez alguém com traços tardios de bad boy, crazy boy, precisamente mais aparentando ser um lost boy. Calça jeans, jaqueta de couro. Ai, a jaqueta de couro, tão surrada, usada, mal tratada! Merece uma descrição mais bem feita, mais afeita aos tantos armários onde morou. Uma jaqueta com história, com memória, com marcas e sulcos, com gosto de beijo, de lágrima, de sol, de chuva, de cachaça, de vodca e até de guaraná. Alegre em cada chegada; sentimentos imprecisos nas partidas. O vento... A jaqueta se lembrava do vento, dos tempos das viagens loucas de motocicleta. Mas ela pesa sobre seus ombros, pois a imagem de motoqueiro, agora, é distorcida, reprimida, insanamente desconfortável: o passado não lhe serve mais. Como dizia no início, entrou no bar como quem desceria de uma moto estacionada à porta, tentando p…

Concurso Internacional de Redação de Cartas recebe inscrições até março

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Textos devem ser escritos de próprio punho, em língua portuguesa, com até 800 palavras e em formato de cartaEstudantes de até 15 anos de idade, de escolas públicas e privadas de todo o país, podem participar do 43° Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado no Brasil pelos Correios. As inscrições devem ser feitas até o dia 17 de março, através do site da instituição.O tema de 2014 é “Escreva uma carta para dizer de que forma a música influencia a vida”. Os textos devem ser escritos de próprio punho, com caneta esferográfica preta ou azul e em língua portuguesa, com no máximo 800 palavras, em formato de uma carta. Reprodução As escolas também vão receber prêmios. Cada escola só pode inscrever no máximo duas redações, por isso os estudantes interessados devem passar por um processo de seleção interno na sua escola, para que seja escolhida a carta que irá representar a instituição. O concurso é promovido, em todo o mundo, pela União Postal Universal (UPU), que congrega os…

Manuel Bandeira

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Preparação para a morteA vida é um milagre. Cada flor, com sua forma, sua cor, seu aroma, cada flor é um milagre. Cada pássaro, com sua plumagem, seu vôo, seu canto, cada pássaro é um milagre. O espaço, infinito, o espaço é um milagre. O tempo, infinito, o tempo é um milagre. A memória é um milagre. A consciência é um milagre. Tudo é milagre. Tudo, menos a morte. — Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres. Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.1 Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Nélson Rodrigues, Carlos Pena Filho e Osman Lins, entre outros, representa o melhor da produção literária do estado …

Ledo Ivo

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DIANTE DO ESPELHOEspelho, espelho meu
haverá alguém no mundo
mais diferente de mim
do que eu?HOMENAGEM A UM SEMÁFOROAquele semáforo junto ao mar, na minha infância.
Sempre amei as coisas que indigam ou significam algo
— tudo o que, em silêncio, é linguagem. Do livro: "Poesia Completa - 1940-2004", Topbooks, Estudo introd. Ivan Junqueira, Topbooks, RJ, 2004O começo do verãoAssim começao o verão: as moscas zumbem
e as pedras resplandecem
e os rumores do mundo nos perseguem
sob a forma de duas e miragens.
E sucede que, ao cair da noite,
o dia se converte no intocável
seio nu, rival do sol extinto.
E as cigarras cantam. E os trens passam.
A vida, abelha sem mel, zumbe na claridade.
E as moscas importunam os corpos
embalsamados pelo verão.
E nas matas crepitam os primeiros incêndios. Jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta, nasceu em Maceió, AL, em 18 de fevereiro de 1924. Sua obra de poesia e de prosa foi amplamente reconhecida e premiada, quase todos seus livros têm prêmi…

Lucas Figueiredo Silveira

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Poema das sete capas Quando nasci, um anjo aficionado por livros Desses que vivem em bibliotecas, sebos e livrarias Disse: Vai, Lucas! Vai ser leitor na vida.

Os pássaros se voassem mais alto talvez Pudessem encontrar Deus. Se “A hora da estrela” não tivesse sido escrita por Clarice Lispector, seria a obra mais cômica da Literatura brasileira.

Observo quantos carros andam pelas ruas. Para que tanta roda, minha mãe! Meus ouvidos reclamam.

Ando com roupa de gala entre Árvores e flores. Seres e verbos implícitos. Uma nau está atracada em meu jardim. Vasculho o porão de minha infância.
Meus avós...! Tão perto!... ...Tão longe...! Sou irracional, indeciso, Desprovido de qualquer força.

Adriane Garcia

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Desastre ecológicoPombinha pobre, pobre pombinha
Tive dó, quis te pôr as mãos
Freou-me a Vigilância Sanitária
Os medrosos afastaram-me de ti
Falaram de tuas doenças
Tu deves ter ido à Índia
À Serra Leoa e ao Brasil
Estás, pombinha
Triste leprosa sem meio pezinho
Debaixo da mesa do bar
Em que como
Macarrão à bolonhesa
Da carne de um boi atropelado
Por mil hormônios
É certo
Que ele comeu a grama
Em que cagaste.